13  Tipos de memória

A memória conferiu ao ser humano tantas novas possibilidades de transformar sua existência que é alvo de constantes questionamentos desde o surgimento da filosofia na Grécia antiga até o recente nascimento das neurociências. Platão entendia a memória como o poder de recordar a experiência vivida (Burnham, 1888). Aristóteles dedicou um tratado inteiro à memória (Da memória e reminiscência, em latim De memoria et reminiscentia) (Burnham, 1888). Santo Agostinho também se dedicou a tentar entender o fenômeno da memória e foi um dos primeiros a compreender a existência de diferentes tipos de memória. Uma das primeiras inferências sobre os diferentes tipos de memória pode ser encontrada no livro 10 das Confissões, escrito provavelmente entre os anos 397 e 400 d.C. (Augustine, 2008). Segundo Agostinho a “memória sensível” armazenaria traços de eventos sensoriais, ou seja, informações provenientes dos órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, gustação etc.); a “memória intelectual ou do conhecimento”, por sua vez, armazenaria os significados das coisas; a “memória das memórias” seria a capacidade de saber que algo foi lembrado em uma ocasião anterior; a “memória dos sentimentos e das paixões” seria responsável por armazenar as emoções vividas pelo próprio sujeito e, finalmente, a “memória do esquecimento” seria a capacidade de saber que algo foi esquecido (Burnham, 1888; Cassel; Cassel; Manning, 2012).

Mas a primeira tentativa objetiva de cunhar uma taxonomia da memória só apareceu 18 séculos mais tarde com o trabalho de Maine de Biran em 1804, que distinguiu três tipos de memória: “mechanical memory”, “sensitive memory” e “representative memory” (Maine de Biran, 1929; Squire, 2004). No século XX vários autores começaram a distinguir diferentes tipos de memória, mas a era moderna dos estudos sobre a memória surgiu apenas a partir de meados do século XX, com os estudos sobre o famoso paciente HM.

NotaPontos-chave
  • A memória intriga desde a filosofia grega: Platão a via como o poder de recordar a experiência vivida; Aristóteles lhe dedicou um tratado.
  • Agostinho, no livro X das Confissões, já distinguia tipos de memória: sensível, intelectual, das memórias, dos sentimentos e do esquecimento.
  • A primeira taxonomia objetiva é de Maine de Biran (1804): memória mecânica, sensível e representativa.
  • A era moderna dos estudos da memória começa em meados do século XX, com o paciente HM.