31  Qual é a verdadeira nota de 20 reais?

Você acha que ver repetidamente alguma coisa facilita lembrar dessa coisa? Nickerson e Adams (1979) fizeram a pergunta com a moeda de um centavo americana, que todo adulto viu milhares de vezes, e mostraram que a memória de longo prazo para um objeto comum é surpreendentemente pobre: as pessoas não conseguiam desenhá-la nem reconhecer a verdadeira entre variantes. A versão brasileira usa a nota de 20 reais.

31.1 Objetivos

  • Mostrar que a exposição repetida não garante memória dos detalhes.
  • Distinguir familiaridade (reconhecer que é uma nota de 20) de recordação dos detalhes.
  • Ligar o resultado à ideia de que a memória guarda o que é útil (essência), não o que é visto (literalidade).

31.2 Materiais

  • Um painel com a nota de 20 reais verdadeira e cinco ou mais variantes alteradas (posição do valor, orientação do animal, cor da faixa, presença ou ausência de elementos). Preparar as variantes previamente com um editor de imagens.
  • Alternativamente, ou antes do painel: papel para que cada estudante desenhe a nota de memória.

31.3 Roteiro

  1. Pergunte: quantas vezes você já viu uma nota de 20 reais? Peça que desenhem a frente da nota de memória (2 minutos), com o máximo de detalhes.
  2. Projete o painel com as variantes e peça que escolham a verdadeira.
  3. Revele a resposta e conte os acertos.
  4. Pergunte o que, na nota, todo mundo lembrou (o animal, a cor, o número) e o que quase ninguém lembrou (posição, detalhes de fundo, textos).

31.4 Discussão

  • Por que lembramos exatamente o que precisamos para usar a nota (valor, cor, animal) e nada mais? O que isso diz sobre o que a memória seleciona?
  • Repetição melhora memória? A resposta que a aula propõe: repetição só melhora a memória do que é importante, dos significados. Ver a seção A curva do esquecimento e a repetição.
  • Transponha: quantas vezes você viu o eletrocardiograma normal? Consegue desenhá-lo? O que lembra dele é a essência ou a literalidade?

31.5 Ligação com o livro

Capítulo 6 (A importância do esquecimento) e Capítulo 10 (Essência e literalidade).