33 Loftus e Palmer em sala
Reprodução, em escala de sala, do experimento clássico em que a forma da pergunta modificou tanto a estimativa de velocidade quanto a lembrança de vidros quebrados (Loftus; Palmer, 1974). A atividade funciona melhor se a turma não tiver lido o capítulo sobre falsas memórias antes.
33.1 Objetivos
- Vivenciar o efeito de uma pergunta sugestiva sobre a memória de um evento presenciado.
- Discutir a diferença entre esquecer e reconstruir.
- Relacionar o fenômeno com a entrevista clínica e com o depoimento de testemunhas.
33.2 Materiais
- Um vídeo curto (10–30 s) de uma colisão entre veículos, sem vidros quebrados visíveis. Preferir imagens de simulação ou de teste de colisão, evitando vídeos reais com vítimas.
- Duas versões de um questionário impresso (ou formulário online com duas versões distribuídas aleatoriamente). As versões são idênticas, exceto por um verbo:
- Versão A: “Qual era a velocidade dos carros quando eles se chocaram?”
- Versão B: “Qual era a velocidade dos carros quando eles se esmagaram?”
- Um segundo questionário, com uma única pergunta: “Você viu vidro quebrado no vídeo? ( ) sim ( ) não”.
33.3 Roteiro
- Distribuição cega. Entregue as versões A e B alternadamente, sem comentar que há duas versões. Peça que ninguém converse.
- Exibição. Mostre o vídeo uma única vez.
- Questionário 1. Cada estudante responde por escrito à estimativa de velocidade (em km/h). Recolha.
- Intervalo. No experimento original a pergunta sobre os vidros foi feita uma semana depois. Em sala, há duas opções: (a) aplicar o questionário 2 ao final da mesma aula, após outra atividade, ou (b) aplicá-lo na aula seguinte, o que se aproxima mais do original.
- Questionário 2. “Você viu vidro quebrado?” Recolha e tabule por versão (A/B).
- Resultado. Apresente à turma: média de velocidade estimada em cada versão; percentual de “sim” para vidro quebrado em cada versão. Só então revele que havia duas versões e qual era a diferença.
33.4 Discussão
- O verbo mudou a estimativa? Mudou a lembrança? Qual dos dois efeitos é mais inquietante?
- Quem respondeu “sim” ao vidro quebrado: lembra de ter visto o vidro ou apenas deduziu que devia haver? Há diferença subjetiva entre as duas coisas?
- Transponha para a clínica: que perguntas fazemos na anamnese que funcionam como “esmagaram”? (“A dor é em aperto?”, “O senhor ouviu vozes?”)
- Transponha para o sistema judicial: o que muda numa acareação ou num reconhecimento de suspeito se a memória é reconstrutiva (Lacy; Stark, 2013)?
33.5 Ligação com o livro
Capítulo 9 (Falsas memórias), em especial a série de experimentos de Loftus sobre incorporação de informação pós-evento (Loftus, 1975; Loftus, 1977, 2005; Loftus; Miller; Burns, 1978).