Maria, 34 anos

Maria é trazida ao pronto-socorro psiquiátrico pela irmã, que relata preocupação com seu comportamento nas últimas três semanas. Durante a entrevista, Maria se apresenta vestindo roupas escuras, cabelos desarrumados, unhas sujas. Ela entra na sala lentamente, ombros caídos, olhar cabisbaixo. Senta-se na cadeira de forma retraída, braços cruzados.

Ao ser questionada, Maria mantém contato visual apenas brevemente, desviando o olhar para o chão. Responde às perguntas com voz baixa, quase inaudível, demorando vários segundos antes de cada resposta. Suas respostas são monossilábicas inicialmente: “sim”, “não”, “não sei”.

Quando perguntada sobre como está se sentindo, Maria demora cerca de 20 segundos e responde: “Vazia… sem sentido… nada importa mais”. Lágrimas começam a escorrer por seu rosto, mas ela não faz nenhum esforço para limpá-las.

Maria sabe que está no hospital, reconhece que é terça-feira, mas não tem certeza se estamos em março ou abril. Ela sabe seu nome e idade. Quando solicitada a repetir três palavras (mesa, cadeira, chave), consegue fazê-lo. Após cinco minutos de conversa, quando perguntada sobre as três palavras, ela lembra apenas de “mesa”.

Durante toda a entrevista, Maria se movimenta muito pouco. Suas expressões faciais são mínimas. Quando perguntada se tem apetite, ela balança a cabeça negativamente. Sobre o sono, responde: “Acordo às três da manhã e fico pensando… pensando que sou um peso para todos, que seria melhor se eu não estivesse aqui”.

Quando questionada diretamente sobre pensamentos de se machucar, Maria hesita longamente e finalmente sussurra: “Penso… às vezes… que não aguento mais”. Ela nega ter feito planos específicos, mas admite que “tem guardado” alguns comprimidos que sobraram de tratamentos anteriores.

Maria relata que nos últimos meses perdeu o interesse em tudo que antes gostava - cozinhar, assistir suas séries favoritas, sair com amigas. “Nada me dá prazer mais… é como se eu não sentisse nada, só um vazio pesado”, diz ela com voz monótona.

Questionada sobre o que causou essa mudança, Maria diz: “Eu falhei… perdi meu emprego, decepcionei minha família… sou um fracasso completo”. Quando a irmã tenta contradizê-la, dizendo que ela foi demitida por cortes na empresa, Maria balança a cabeça: “Não, foi porque eu não sirvo para nada mesmo”.

Maria reconhece que está se sentindo mal e aceita quando é sugerido que ela precisa de ajuda, embora sem demonstrar muita expectativa: “Não sei se vai adiantar, mas tudo bem, vamos tentar”.

Caso fictício, elaborado para fins didáticos.