João, 28 anos

João chega ao consultório caminhando rapidamente, entra na sala sem esperar ser chamado, e imediatamente começa a falar antes mesmo de se sentar: “Doutor, finalmente! Tenho tantas ideias incríveis para compartilhar com o senhor! O senhor não vai acreditar no que descobri!”

Ele está vestido com roupas coloridas - uma camisa amarela vibrante, calça vermelha, tênis laranja. Usa vários colares e pulseiras. Seus cabelos estão despenteados, mas ele parece não se importar. Há um perfume forte.

Durante toda a entrevista, João não para de se movimentar. Levanta-se, senta-se, anda pela sala, gesticula amplamente. Fala muito rápido, pulando de um assunto para outro: “Então, doutor, eu estava pensando em abrir três empresas - não, quatro! - uma de tecnologia, outra de moda, uma de culinária e… ah sim! Uma gravadora, porque eu componho músicas agora, sabe? Aliás, o senhor gosta de música? Eu estou escrevendo uma sinfonia, vai revolucionar a música clássica!”

Quando tentamos fazer uma pergunta, João nos interrompe repetidamente. Ele fala sem parar por vários minutos, pulando de tema em tema. Quando perguntamos sobre sono, ele diz: “Dormir? Quem precisa dormir quando há tanto para fazer? Durmo umas duas, três horas e acordo cheio de energia! Aliás, o sono é superestimado, Einstein dormia pouco, sabia?”

João parece extremamente alegre, sorrindo constantemente, rindo alto de suas próprias piadas. Quando perguntamos se ele está se sentindo bem, ele responde: “Bem? Doutor, eu nunca me senti tão incrível na vida! Estou no auge, no topo do mundo! Sabe por quê? Porque descobri que tenho um propósito especial, uma missão!”

Questionado sobre essa “missão”, João se aproxima, baixa a voz como se contando um segredo: “Eu vou mudar o mundo, doutor. Tenho conexões especiais… o universo se comunica comigo através de sinais. Ontem, por exemplo, vi um carro vermelho seguido de um azul - isso significa que minha empresa de tecnologia vai ser um sucesso!”

Durante a conversa, João pega seu celular várias vezes, mostra fotos e vídeos, tenta tocar uma música que compôs. Menciona ter gasto R$ 15.000 em equipamento de música nos últimos três dias. “Mas tudo bem, doutor, porque eu vou ganhar milhões! Na verdade, já estou conversando com investidores - bem, na verdade mandei e-mails para várias pessoas importantes, tenho certeza que vão responder!”

João sabe o dia, mês, ano, onde está. Consegue fazer cálculos matemáticos simples rapidamente, embora se impaciente com a lentidão da tarefa. Quando tentamos aprofundar perguntas sobre sua família ou trabalho, ele muda rapidamente de assunto.

A família relata, quando João sai brevemente da sala, que ele dormiu apenas 2 horas por noite na última semana, gastou todas as economias, e foi demitido do emprego por comportamento inadequado (chegava atrasado, fazia brincadeiras inapropriadas, discutia com chefes).

Quando sugerimos que João talvez precise de um acompanhamento, ele responde: “Acompanhamento? Doutor, com todo respeito, mas quem precisa de tratamento são as pessoas negativas que não conseguem acompanhar meu ritmo! Mas tudo bem, venho aqui para conversar se o senhor quiser, adoro conversar!” Ele não demonstra nenhum reconhecimento de que seu comportamento possa ser problemático.

Caso fictício, elaborado para fins didáticos.