9. Inteligência
9.1 Avaliação Geral
Informações a Coletar
- Desenvolvimento escolar
- Idade de ingresso
- Repetências
- Dificuldades específicas
- Quando/por que parou
Capacidades a Avaliar
- Adaptação ao meio
- Aprendizado com experiência
- Pensamento abstrato
- Resolução de problemas
- Conhecimentos gerais
- Capacidade de cálculo
9.2 Classificação
Normal
- Estimada na média: funcionamento aparentemente normal
- Acima da média: capacidade superior
Deficiência Intelectual
A deficiência intelectual (DI) não se define por um número de QI isolado: exige dois componentes — déficit do funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem, solução de problemas) e do funcionamento adaptativo —, com início no período do desenvolvimento (Dalgalarrondo, 2019; Sadock; Sadock; Ruiz, 2017, p. 291).
A terminologia evoluiu: o que a CID-10 e o DSM-IV chamavam de retardo mental tornou-se deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) no DSM-5 (2013) e transtornos do desenvolvimento intelectual (código 6A00) na CID-11, em vigor desde 2022 (Organização Mundial da Saúde, 1993, 2022; Sadock; Sadock; Ruiz, 2017, p. 291).
Por trás dessa mudança de nome há uma distinção conceitual. A CID classifica condições de saúde (transtornos), enquanto o termo deficiência pertence à Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), que descreve as consequências funcionais. Por isso a CID-11 fala em transtornos do desenvolvimento intelectual: o transtorno é a condição de saúde; a deficiência, suas repercussões na vida da pessoa. A escolha tem também um peso prático — é a CID, e não a CIF, que a maioria dos países usa para definir a responsabilidade do Estado em prover cuidado. Nesse marco, o quadro é entendido como uma meta-síndrome: um agrupamento de condições de etiologias diversas unidas pelo déficit do funcionamento cognitivo, de modo análogo à demência (Bertelli et al., 2016; Salvador-Carulla et al., 2011).
Da era do QI ao funcionamento adaptativo. Por boa parte do século XX, a gravidade da DI foi graduada pelo quociente de inteligência (QI), herança dos testes de Binet e Wechsler — era psicométrica cujo limite o próprio Wechsler resumiu com ironia: “inteligência é aquilo que os meus testes medem” (Dalgalarrondo, 2019, p. 277). A CID-10 e o DSM-IV consolidaram a classificação por faixas de QI:
| Grau (CID-10 / DSM-IV) | Faixa de QI |
|---|---|
| Limítrofe (não é DI) | 70–84 |
| DI leve | 50–69 |
| DI moderada | 35–49 |
| DI grave | 20–34 |
| DI profunda | < 20 |
O DSM-5 (2013) abandonou as faixas de QI como base da gravidade e passou a graduá-la pelo funcionamento adaptativo, em três domínios — conceitual (habilidades acadêmicas), social (relacionamentos) e prático (autocuidado) (Sadock; Sadock; Ruiz, 2017, p. 1120); a CID-11 (2022) seguiu a mesma direção, enfatizando o funcionamento adaptativo (Organização Mundial da Saúde, 2022). A mudança se justifica porque “o desempenho adaptativo determina o nível de suporte necessário [e] as pontuações do QI são menos válidas nas partes inferiores da faixa” (Sadock; Sadock; Ruiz, 2017, p. 291). Ver Discrepâncias · D6.
Deterioração
- Demência: deterioração orgânica global de uma inteligência previamente desenvolvida (distinta da DI, que é do desenvolvimento)
9.3 Aspectos Específicos
Abstração
- Preservada: interpreta provérbios, metáforas
- Comprometida: pensamento concreto
- Dificuldade de abstração
Conhecimentos Gerais
- Adequados ao nível cultural
- Limitados
- Muito restritos
Cálculo
- Preservado
- Comprometido