Marcos, 45 anos

Marcos, 45 anos, engenheiro civil, casado há 15 anos, procura atendimento após insistência da esposa. Relata estar convencido de que ela mantém um relacionamento extraconjugal com um colega de trabalho. Conta que passou a verificar repetidamente o celular da esposa, segui-la até o escritório e confrontar vizinhos sobre visitas suspeitas em sua casa durante o horário de trabalho. Afirma que “as provas estão em cada detalhe”: uma mensagem de WhatsApp com emoji, uma mudança no perfume, uma roupa nova. A esposa nega veementemente, mas Marcos interpreta todas as negativas como parte de um disfarce elaborado. O paciente admite que não consegue se concentrar no trabalho, já perdeu prazos importantes e foi advertido pela chefia. Os filhos relatam que o clima em casa se tornou insuportável, pois as discussões sobre traição acontecem diariamente, inclusive durante as refeições. Apesar de toda a convicção, Marcos consegue descrever seu raciocínio de forma clara, lógica e organizada, repetindo os mesmos argumentos em sequência. Dorme mal, apresenta irritabilidade constante e afirma: “não posso descansar enquanto não desmascarar essa situação”.

Caso fictício, elaborado para fins didáticos. Usado na atividade interativa Dimensões do delírio — em que se classifica o delírio em cinco dimensões (convicção, extensão, bizarrice, desorganização e preocupação).