Ana, 19 anos
Ana é trazida pelos pais após um episódio em que foi encontrada no banheiro tentando “tirar as formigas que estavam debaixo de sua pele” com uma tesoura, causando vários cortes superficiais nos braços.
Ela entra na sala lentamente, olhando ao redor de forma confusa. Está vestida com um pijama, chinelos, cabelos desgrenhados. Há manchas de comida na blusa. Ela parece não se importar com sua aparência.
Ana senta-se e olha para o entrevistador com olhos arregalados. Quando cumprimentada, ela demora a responder, como se processasse as palavras lentamente. “Oi…”, diz finalmente com voz baixa e sem entonação.
Quando perguntada sobre seu nome, ela responde corretamente. Sobre a data, hesita: “É… setembro? Ou outubro?” (Estamos em junho). Sobre onde está: “No… hospital? Acho que é um hospital”. Ela sabe que tem 19 anos, mas quando perguntada sobre sua data de nascimento exata, ela franze a testa: “15… 15 de… espera… não lembro”.
Durante a entrevista, Ana frequentemente olha para o canto da sala, como se visse algo ali. Em um momento, ela aponta: “Você está vendo aquela mulher ali?” Quando o entrevistador diz que não vê ninguém, Ana parece confusa: “Mas ela está bem ali… de vestido branco… ela fica me olhando”.
Ana então começa a coçar os braços vigorosamente. “Elas estão voltando”, diz angustiada. “As formigas… elas entram pela minha pele e andam dentro de mim. Posso sentir elas caminhando nas minhas veias”. Ela mostra os braços ao entrevistador. “Você não vê? Tem tantas!”
Quando se tenta conversar com Ana sobre outros assuntos, ela tem dificuldade em manter o foco. Suas respostas são vagas e às vezes não fazem sentido. Perguntada sobre sua família, ela diz: “Família… pássaros… voando… preciso voar também”. Essa resposta não parece ter conexão lógica com a pergunta.
Em outro momento, Ana interrompe a conversa abruptamente: “Silêncio! Você ouve? As vozes… elas estão falando sobre mim”. Quando perguntado o que as vozes dizem, ela responde: “Dizem que sou suja… que preciso me limpar… que as formigas vão me devorar se eu não tirar elas de dentro de mim”.
A expressão facial de Ana é relativamente vazia, com pouca variação emocional. Mesmo quando fala sobre as vozes e as formigas, não demonstra o grau de ansiedade que seria esperado. Sua voz permanece monótona.
Quando se pede que Ana repita três palavras (gato, mesa, flor), ela consegue repetir imediatamente. Mas após dois minutos, quando perguntada novamente, ela não consegue lembrar nenhuma das palavras. “Não me lembro… havia palavras? Ah sim… eram… não sei”.
Ana se movimenta pouco durante a entrevista. Seus gestos são lentos, como se ela estivesse em câmera lenta. Ela ocasionalmente faz movimentos estranhos com as mãos, como se estivesse tentando pegar algo no ar.
Perguntada se ela acha que está doente ou se precisa de ajuda, Ana parece não compreender a pergunta inicialmente. Depois de repetida, ela diz: “Doente? Não… bem, as formigas… mas todo mundo tem formigas, não tem? Não? Então… talvez… não sei”.
Os pais relatam que Ana era uma estudante brilhante até seis meses atrás, quando começou a “mudar completamente” - isolou-se, parou de ir às aulas, começou a fazer comentários estranhos sobre ser vigiada e sobre “coisas caminhando dentro dela”.
Caso fictício, elaborado para fins didáticos.