5  Bases neurobiológicas da consciência

Uma questão frequente na literatura sobre a consciência é saber qual a configuração mínima necessária para o surgimento da consciência. Entretanto, é preciso salientar que essa pergunta geralmente se direciona à consciência humana, ou seja, o que é preciso para que possa surgir uma consciência tal como a dos seres humanos, capaz não apenas de receber estímulos do meio ambiente e processá-los, mas também capaz de se identificar como um self, um eu, distinto do mundo exterior.

Entende-se, a partir de estudos de inúmeros casos de lesões cerebrais, que a consciência no ser humano depende tanto de estruturas corticais como subcorticais e que, independentemente das funções individuais das diversas regiões do córtex cerebral, é sua atividade coletiva e integrada, em conjunto com regiões subcorticais, que determina o surgimento e o nível da consciência. A consciência parece ser então resultado da interação entre um grande número de sistemas, tais como sistemas sensoriais, estruturas relacionadas à memória e ao controle motor, assim como também de circuitos mediando as emoções e a motivação (Engel; Fries, 2016). Regiões subcorticais têm uma importante participação na consciência, tanto por promoverem a manutenção da vigília e do estado de alerta como também por se projetarem e conectarem quase todo ou todo o sistema nervoso. Lesões em alguns desses pontos de interligação, tais como no trecho entre a parte superior da ponte e o mesencéfalo, promovem um coma profundo.

Entretanto, apesar de décadas de estudos sobre o tema, ainda não sabemos qual a configuração mínima necessária e suficiente para surgir o que denominamos consciência.