1  Introdução

O que é a consciência, quais seus atributos, quais suas diferentes formas e qualidades, quais suas origens e qual seu papel são algumas das questões mais intrigantes e estimulantes da neurociência e da filosofia. A famosa frase de Descartes “Penso logo existo” nos indica que a única certeza que temos é que estamos conscientes (Descartes, 2003). O resto é apenas conjectura. Sabemos que estamos conscientes, mas não podemos sequer ter certeza da existência da consciência em outras pessoas. Usualmente atribuímos estados conscientes aos outros quando se parecem e se comportam da mesma forma que nós (Tononi; Koch, 2015). Muito mais complexo é tentar responder se máquinas podem um dia ter consciência (Chella et al., 2019). De fato, não sabemos nem ao certo o que significa a palavra consciência. O termo “consciência” não possui uma definição precisa, sendo usado em diversos contextos com diferentes significados. Consciência pode ser entendida como uma propriedade emergente de um sistema complexo, fruto da integração de vários sistemas especializados. Consciência é avaliada usualmente em referência aos níveis de consciência, variando em intensidade desde coma até vigília, como também em termos do conteúdo da consciência, levando em conta a experiência particular em cada instante. Finalmente, consciência é intrinsecamente relacionada à nossa própria experiência de eu (self). Pacientes com demência se tornam cada vez menos conscientes do mundo e de si mesmos, numa deterioração progressiva em direção a um mundo sem sentido. O estudo da consciência se confunde com o estudo do que realmente significa ser humano. Buscar essas respostas é parte do processo de buscar entender o que nos torna humanos.

Nos próximos capítulos estudaremos a consciência sob diversos aspectos, iniciando com uma abordagem histórica evolucionista e, em seguida, discutindo as inúmeras questões importantes sobre o tema.