15  Casos clínicos

Roteiros de entrevistas simuladas para inferência diagnóstica

A Parte V do livro reúne uma série de roteiros de entrevistas simuladas com pacientes que apresentam diferentes transtornos de personalidade. Cada caso é apresentado em formato de diálogo entre entrevistador e paciente, podendo ser:

15.1 A metodologia

A proposta pedagógica é simples e exigente: o diagnóstico do caso não é revelado ao aluno antes do exercício de inferência. Os casos são identificados por uma letra (Caso A, Caso B, Caso C, …) que não corresponde a qualquer ordem diagnóstica reconhecível.

A sequência recomendada de estudo é:

  1. Ler ou assistir o caso completo, observando linguagem verbal, postura corporal, ritmo da fala, padrão relacional, conteúdo dos relatos sobre infância, trabalho, relações afetivas e história de adoecimento.
  2. Formular hipótese diagnóstica com base nos critérios clínicos discutidos nos capítulos da Parte II.
  3. Considerar diagnósticos diferenciais — não apenas dentro do espectro dos transtornos de personalidade, mas também com condições do Eixo I (transtornos de humor, ansiedade, uso de substâncias, esquizofrenia).
  4. Justificar a hipótese com sinais e sintomas concretos da entrevista, ancorando em critérios do DSM-5-TR e/ou da CID-11.
  5. Conferir o diagnóstico-alvo ao final do exercício — disponível no “Aviso ao docente” no topo de cada roteiro.
Para uso em sala de aula

A combinação ideal é a leitura coletiva guiada seguida de debate em pequenos grupos sobre a hipótese diagnóstica. O professor pode pedir aos alunos que listem, antes da revelação, os três sinais que mais pesaram em sua inferência. A discussão sobre os sinais discordantes entre alunos é, frequentemente, o momento de maior aprendizado.

15.2 Roteiro e originalidade

Todos os casos são construções originais elaboradas a partir da categoria diagnóstica correspondente, sem reprodução de linguagem, cenas, vínculos familiares, dados sociodemográficos ou frases de qualquer caso clínico publicado. A inspiração vem do quadro clínico geral descrito na literatura psiquiátrica, jamais da narrativa específica de um paciente real ou de um texto-fonte identificável.

Os roteiros foram redigidos com atenção para que evitem:

  • caricaturas dramáticas — o paciente antissocial não é o “psicopata de filme”; o paciente histriônico não é uma figura cômica; o paciente dependente não é apenas “apegado”;
  • revelação precoce do diagnóstico — sinais clínicos aparecem ao longo da entrevista, não em rótulos diretos;
  • conclusões interpretativas no texto — o aluno é convidado a inferir, não a memorizar.

15.3 Estrutura de cada roteiro

Cada caso segue o mesmo formato:

  1. Aviso ao docente — diagnóstico-alvo, origem do material, cuidados pedagógicos.
  2. Ficha técnica — dados básicos do paciente fictício e contexto da entrevista.
  3. Orientações para os atores — paciente e entrevistador (postura, tom, sinais).
  4. Roteiro dialogado completo — entrevista linha a linha, dividida em blocos (abertura, queixa atual, história, encerramento).
  5. Sinais clínicos a observar — lista comentada, para o estudante usar como checklist.
  6. Discussão diagnóstica — análise comentada do caso, revelada apenas após o exercício de inferência.

15.4 Cobertura

A Parte V cobre, no momento, nove casos representando nove dos dez transtornos de personalidade descritos no DSM-5-TR:

Cobertura atual dos transtornos por cluster
Cluster Transtornos cobertos Cobertura
Cluster A (estranhos / excêntricos) Esquizotípica, Paranoide 2 de 3
Cluster B (dramáticos / erráticos) Antissocial, Borderline, Histriônica, Narcisista 4 de 4 ✓
Cluster C (ansiosos / temerosos) Dependente, Evitativa, Obsessivo-Compulsiva 3 de 3 ✓

Resta um único caso a ser elaborado em edições futuras — Transtorno de personalidade esquizoide (Cluster A). A estrutura modular do livro permite essa expansão sem reorganização editorial.

Aviso ético

Os roteiros aqui apresentados são materiais didáticos. Não substituem entrevista clínica real nem podem ser usados como evidência diagnóstica em situações clínicas concretas. O aprendizado por simulação é complementar — e não substituto — da observação supervisionada de pacientes em contexto assistencial.