9 Epidemiologia dos transtornos de personalidade
Estima-se que entre 9% e 16% da população apresente critérios para diagnóstico de algum transtorno de personalidade (Andreasen; Black, 2014). Meta-análise mais recente, agregando 27 estudos populacionais em países ocidentais, encontrou prevalência global em torno de 12% (Volkert; Gablónski; Rabung, 2018). A prevalência é ainda maior em amostras de pacientes com algum transtorno psiquiátrico (30% a 50%) (Andreasen; Black, 2014).
Em amostras de pacientes em tratamento psiquiátrico ambulatorial, a prevalência combinada dos transtornos de personalidade borderline e obsessivo-compulsiva atinge taxas de quase 20% (Tabela 9.1) (Zimmerman; Rothschild; Chelminski, 2005). Em amostras de pacientes admitidos para internação em hospitais clínicos, estima-se uma prevalência de cerca de 20% para o transtorno de personalidade borderline (Hales; Yudofsky; Roberts, 2014).
A alta prevalência desses transtornos em pacientes ambulatoriais e hospitalizados demonstra a importância do conhecimento desse tema — não apenas pelos especialistas, mas também pelo médico generalista.
| Personalidade | População geral (Torgersen; Kringlen; Cramer, 2001) | População clínica (Zimmerman; Rothschild; Chelminski, 2005) |
|---|---|---|
| Paranoide | 1,7% | 4,2% |
| Esquizoide | 1,0% | 1,4% |
| Esquizotípica | 1,0% | 0,6% |
| Antissocial | 1,0% | 3,6% |
| Borderline | 1,6% | 9,3% |
| Histriônica | 1,5% | 1,0% |
| Evitativa | 1,7% | 14,7% |
| Dependente | 0,7% | 1,4% |
| Obsessivo-compulsiva | 2,1% | 8,7% |
| Narcisista* | 0,5% | 2,3% |
* Mais comum nos homens. ** Pacientes em tratamento psiquiátrico ambulatorial.
Já complementado: Torgersen; Kringlen; Cramer (2001) + Volkert; Gablónski; Rabung (2018) (meta-análise mais ampla). Falta ainda: - Zimmerman; Rothschild; Chelminski (2005) → considerar atualização pós-DSM-5; - adicionar revisões 2020-2025 sobre prevalência em populações específicas (atenção primária, jovens adultos, pós-pandemia).