26  Atividade: visões da personalidade × IAs

Quatro teorias confrontadas com três modelos de linguagem · 40 minutos

Pré-requisito

Leia antes o capítulo Quatro visões da personalidade. O texto teórico é o ponto de partida da atividade.

26.1 Por que essa atividade

Esta atividade em grupo ensina três coisas ao mesmo tempo:

  1. Teoria da personalidade — aprofunda quatro tradições teóricas (essência, narrativa, dinâmica relacional, produção social) consultando fontes externas além do material do livro.
  2. Pensamento crítico clínico — exige avaliar respostas de IAs como hipóteses, não como verdades, comparando posições e identificando divergências e omissões.
  3. Literacia em IA — treina o aluno a perceber como diferentes modelos (ChatGPT, Claude, Gemini) representam diferentemente um mesmo conceito, e como isso afeta a inferência clínica.

É uma atividade desenhada para formar o clínico do século XXI: aquele que sabe usar IA como ferramenta sem perder o julgamento crítico.

26.2 Teorias atribuídas aos grupos

A turma é dividida em quatro grupos, cada um responsável por uma visão:

  1. Personalidade como Essência — visão clássica/aristotélica; biologia profunda; traços inatos.
  2. Personalidade como Narrativa — Ricoeur, McAdams; life story model.
  3. Personalidade como Dinâmica Relacional — Merleau-Ponty, Kohut, Winnicott; self como emergência relacional.
  4. Personalidade como Produção Social — Foucault, Goffman, Butler; performance, papéis, discursos.
Grupo extra (turmas grandes)

Em turmas maiores, pode-se acrescentar um quinto grupo:

  1. Personalidade como Padrão emergente e plástico — Cloninger, neurociência do desenvolvimento, epigenética. Conecta com o capítulo sobre plasticidade.

26.3 Fases da atividade

Fase Duração O que acontece
1 10 min Cada grupo consulta 2-3 modelos de IA (ChatGPT, Claude, Gemini) sobre sua teoria — pede definição, exemplos, autores, críticas.
2 15 min Comparação crítica entre as respostas obtidas. Onde as IAs concordam? Onde divergem? O que omitem?
3 15 min Apresentação em plenária (2 min por grupo) seguida de síntese pelo docente.
Prompts sugeridos para começar

Cada grupo pode usar variantes destes pedidos nas IAs:

  • “Explique a concepção de personalidade como [essência / narrativa / dinâmica relacional / produção social]. Quais os principais autores? Quais as críticas mais comuns?”
  • “Como essa visão de personalidade é aplicada na prática clínica?”
  • “Quais são os limites e riscos dessa concepção?”
  • “Como essa concepção dialoga (ou conflita) com as demais visões de personalidade?”

O exercício mais frutífero geralmente é comparar a mesma pergunta feita a três modelos diferentes.

26.4 Inferência diagnóstica do aluno

Independente da fase em grupo, há um formulário individual preenchido por cada aluno, com 8 perguntas-cenário sobre situações em que a personalidade aparece. Para cada pergunta, o aluno escolhe entre 4 alternativas — cada uma representando uma das quatro visões.

Ao final, é possível identificar para qual visão teórica cada aluno tende mais com base no padrão de respostas. Isso permite uma discussão posterior sobre alinhamentos teóricos implícitos e como cada aluno (futuro médico) organiza sua compreensão clínica sem necessariamente perceber.

Formulário (preenchimento individual)

🔗 Abrir o formulário em nova aba

Análise dos resultados (dashboard ao vivo)

Conforme os alunos respondem ao formulário, as respostas são gravadas em uma planilha Google. Um script em R (_extras/analise_personalidade.qmd) lê essas respostas e gera, em tempo real:

  • gráfico da distribuição de alunos por visão teórica predominante;
  • gráfico do padrão de respostas individual de cada aluno;
  • tabela final agrupada por teoria.

Esse dashboard é renderizado fora do livro — não entra no build automático, porque depende de acesso à internet a cada execução e os dados precisam estar sempre frescos.

Passo a passo — gerar o dashboard antes da aula

Pré-requisitos (verificar uma única vez na primeira aula que usar a atividade):

  1. R instalado no seu Mac (em geral via CRAN ou Homebrew: brew install r).

  2. Pacote tidyverse instalado no R. Para instalar, abra o R no terminal ou no Positron e rode:

    install.packages("tidyverse")
  3. Quarto com suporte a R (já instalado, pois você usa pra renderizar o livro).

Rodar o dashboard (a cada aula que usar a atividade):

  1. Abra o Positron e dentro dele abra o arquivo _extras/analise_personalidade.qmd.

  2. No terminal do Positron, garanta que está na raiz do projeto:

    cd "/Users/henriquealvarenga/Developer/_UFSJ/Personalidade_Project"
  3. Renderize o arquivo:

    quarto render _extras/analise_personalidade.qmd
  4. O Quarto vai gerar o arquivo _extras/analise_personalidade.html. Abra-o:

    open _extras/analise_personalidade.html
  5. Conecte o Mac ao projetor da sala e mostre o HTML aberto no Safari/Chrome.

Toda vez que rodar quarto render, o script busca a versão mais recente das respostas no Google Sheets. Se um aluno acabou de submeter, basta re-renderizar para o gráfico atualizar.

Solução de problemas comuns:

  • “could not connect to host”: sua rede está bloqueando o Google Sheets. Tente reconectar ou usar a internet do celular.
  • “Error: ‘read_csv’ is not exported”: o tidyverse não está instalado. Volte ao pré-requisito 2.
  • Tabela com NA em “grupo”: alguma resposta do formulário não bate com o gabarito hardcoded no script. Edite o gabarito no analise_personalidade.qmd para incluir a frase nova.

Se quiser que o dashboard fique disponível como página pública (sem precisar do seu Mac aberto), pode publicar via QuartoPub com um comando — gratuito, gera URL própria. Posso te ajudar quando precisar.

26.5 Para usar como avaliação

A atividade pode integrar a avaliação da disciplina de duas formas:

  1. Avaliação formativa — apresentação em plenária + qualidade da síntese crítica feita por cada grupo (peso reduzido).
  2. Avaliação somativa — relatório individual de 1-2 páginas em que o aluno reflita sobre: (i) qual visão sua resposta no formulário sugere predominar, (ii) se concorda com esse achado e por quê, (iii) que visão ele acha mais útil para a prática clínica e por quê.
Conexão com o livro