Pré-teste

O que você já sabe sobre o TDAH? Responda antes de estudar.

Como fazer: responda às 14 questões sozinho, sem consultar nada. Quando não souber, marque “Não sei”: o pré-teste mede o ponto de partida, e um chute certo esconde exatamente o que você ainda precisa estudar. No fim, veja o resultado por tema e, se quiser, o gabarito comentado.

Não vale nota. Leva cerca de 10 minutos.

Na semiologia psiquiátrica clássica, tenacidade e vigilância (no sentido de Bleuler) designam:

Tenacidade é a capacidade de fixar e manter a atenção sobre um estímulo; vigilância, no sentido de Bleuler, é a capacidade de mudar o foco de um objeto para outro. As duas costumam ser antagônicas (Dalgalarrondo 2019). Cuidado: na neuropsicologia e na pesquisa sobre sono, “vigilância” costuma significar atenção sustentada, quase o contrário.

Para revisar: Psicopatologia da atenção › Formas da atenção

Os sintomas nucleares do TDAH são:

O TDAH é definido por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, presente desde a infância, mais intenso do que o esperado para a idade e com prejuízo no funcionamento (American Psychiatric Association 2022). Ansiedade, depressão e transtorno de oposição desafiante são comorbidades frequentes, não sintomas nucleares (Faraone et al. 2021).

Para revisar: O que é › Os sintomas nucleares

Dizer que o TDAH é um construto significa que:

Um construto é um conceito teórico que não se observa diretamente, como inteligência, ansiedade ou personalidade. Para estudá-lo, é preciso conceituar o que se quer medir e definir como medir. Dizer que o TDAH é um construto não significa dizer que o sofrimento é falso. A questão em aberto é que tipo de coisa o construto descreve: uma entidade natural (Barkley et al. 2002), uma forma cultural de nomear comportamentos (Timimi e Taylor 2004) ou o extremo de um traço contínuo (Demontis et al. 2019).

Para revisar: O que é › Um construto

Pelo DSM-5, vários sintomas precisam estar presentes antes de que idade?

O DSM-IV exigia início antes dos 7 anos (Lange et al. 2010); o DSM-5 ampliou para antes dos 12 (American Psychiatric Association 2013). A CID-11 também pede sintomas significativos antes dos 12 anos (World Health Organization 2019).

Para revisar: Critérios › DSM-5

A partir dos 17 anos, quantos sintomas o DSM-5 exige em pelo menos um dos domínios (desatenção ou hiperatividade-impulsividade)?

Até os 16 anos são seis sintomas em pelo menos um domínio; a partir dos 17, bastam cinco (American Psychiatric Association 2022). A CID-11 não fixa número mínimo de sintomas; o julgamento clínico tem mais peso (World Health Organization 2024).

Para revisar: Critérios › DSM-5

Escalas de sintomas como a SNAP-IV e a ASRS servem para:

Escalas rastreiam e quantificam; não diagnosticam. O diagnóstico exige história do desenvolvimento, mais de um informante, mais de um ambiente, exclusão de outras causas e avaliação do prejuízo. A SNAP-IV é respondida por pais e professores (Mattos et al. 2006); a ASRS é autoaplicada por adultos (Kessler et al. 2005).

Para revisar: Escalas

Em crianças, uma meta-análise de 175 estudos estimou a prevalência de TDAH em aproximadamente:

A estimativa foi de 7,2% (IC95% 6,7–7,8) (Thomas et al. 2015). Em adultos, as meta-análises reunidas pela World Federation of ADHD estimam 2,5% a 2,8% (Faraone et al. 2021). O número depende de como se define um caso.

Para revisar: O que é › Epidemiologia

Em crianças e adolescentes, a razão entre meninos e meninas com TDAH fica em torno de:

Em jovens, a razão fica em torno de 2 para 1 (Faraone et al. 2021). No adulto, porém, as coortes encontram um quadro equilibrado entre os sexos (Moffitt et al. 2015) ou com predomínio de mulheres (Caye et al. 2016). Esse contraste é discutido nas questões em aula.

Para revisar: O que é › Epidemiologia

Sobre o curso do TDAH ao longo da vida, é correto afirmar:

Numa meta-análise de estudos de seguimento, cerca de 15% mantinham a síndrome completa aos 25 anos; somando os casos em remissão parcial, cerca de 65% (Faraone et al. 2006). A estimativa depende da definição de persistência.

Para revisar: O que é › Curso

A maior meta-análise genômica do TDAH até 2023 encontrou:

Com 38.691 pessoas com TDAH e 186.843 controles, o estudo identificou 27 loci de risco e estimou que 84% a 98% das variantes que influenciam o TDAH são compartilhadas com outros transtornos psiquiátricos (Demontis et al. 2023). Há base genética, mas ela é pouco específica.

Para revisar: O que é › Genética

O metilfenidato age principalmente:

O metilfenidato inibe os transportadores de dopamina e de noradrenalina (Faraone 2018). A anfetamina também inibe DAT e NET, mas, além disso, libera dopamina por transporte reverso e age sobre o VMAT-2.

Para revisar: Tratamento › Medicamentos

No Brasil, a prescrição de metilfenidato exige:

Metilfenidato e lisdexanfetamina estão na lista A3 da Portaria 344/1998: Notificação de Receita A, amarela, válida por 30 dias e para no máximo 30 dias de tratamento (Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária 1998; Agência Nacional de Vigilância Sanitária 2026). A atomoxetina, não estimulante, está na lista C1 (Receita de Controle Especial em duas vias).

Para revisar: Tratamento › Medicamentos

Numa meta-análise de estudos com universitários, a proporção que relatou uso indevido de estimulantes de prescrição foi de cerca de:

Cerca de 17% (IC95% 13%–23%). O motivo mais citado era acadêmico, e a fonte mais comum eram colegas com receita (Benson et al. 2015).

Para revisar: Aprimoramento cognitivo

Qual destes acontecimentos é o mais antigo?

A ordem é: Crichton, 1798 (Crichton 2008; Lange et al. 2010); Bradley, 1937 (Bradley 1937); Panizzon, 1944 (Panizzon 1944); DSM-III, 1980 (Lange et al. 2010). A descrição clínica antecede o primeiro estimulante em mais de um século.

Para revisar: História

Referências

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 2026. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 1.036, de 9 de julho de 2026: atualização do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/controlados/lista-substancias.
American Psychiatric Association. 2013. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5). American Psychiatric Association. https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425596.
American Psychiatric Association. 2022. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). American Psychiatric Association Publishing. https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425787.
Barkley, Russell A. et al. 2002. “International Consensus Statement on ADHD: January 2002”. Clinical Child and Family Psychology Review 5 (2): 89–111. https://doi.org/10.1023/A:1017494719205.
Benson, Kari, Kate Flory, Kathryn L. Humphreys, e Steve S. Lee. 2015. “Misuse of stimulant medication among college students: a comprehensive review and meta-analysis”. Clinical Child and Family Psychology Review 18 (1): 50–76. https://doi.org/10.1007/s10567-014-0177-z.
Bradley, Charles. 1937. “The behavior of children receiving Benzedrine”. American Journal of Psychiatry 94 (3): 577–85. https://doi.org/10.1176/ajp.94.3.577.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. 1998. Portaria nº 344, de 12 de maio de 1998: aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Texto republicado no Diário Oficial da União de 1º de fevereiro de 1999. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html.
Caye, Arthur, Thiago Botter-Maio Rocha, Luciana Anselmi, et al. 2016. “Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Trajectories From Childhood to Young Adulthood: Evidence From a Birth Cohort Supporting a Late-Onset Syndrome”. JAMA Psychiatry 73 (7): 705–12. https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2016.0383.
Crichton, Alexander. 2008. “An inquiry into the nature and origin of mental derangement: on attention and its diseases”. Journal of Attention Disorders 12 (3): 200–204. https://doi.org/10.1177/1087054708315137.
Dalgalarrondo, Paulo. 2019. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3º ed. Artmed.
Demontis, Ditte, G. Bragi Walters, Georgios Athanasiadis, et al. 2023. “Genome-wide analyses of ADHD identify 27 risk loci, refine the genetic architecture and implicate several cognitive domains”. Nature Genetics 55 (2): 198–208. https://doi.org/10.1038/s41588-022-01285-8.
Demontis, Ditte, Raymond K. Walters, Joanna Martin, et al. 2019. “Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder”. Nature Genetics 51 (1): 63–75. https://doi.org/10.1038/s41588-018-0269-7.
Faraone, Stephen V. 2018. “The pharmacology of amphetamine and methylphenidate: relevance to the neurobiology of attention-deficit/hyperactivity disorder and other psychiatric comorbidities”. Neuroscience and Biobehavioral Reviews 87: 255–70. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2018.02.001.
Faraone, Stephen V., Tobias Banaschewski, David Coghill, et al. 2021. “The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder”. Neuroscience & Biobehavioral Reviews 128: 789–818. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2021.01.022.
Faraone, Stephen V., Joseph Biederman, e Eric Mick. 2006. “The age-dependent decline of attention deficit hyperactivity disorder: a meta-analysis of follow-up studies”. Psychological Medicine 36 (2): 159–65. https://doi.org/10.1017/S003329170500471X.
Kessler, Ronald C., Lenard Adler, Minnie Ames, et al. 2005. “The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population”. Psychological Medicine 35 (2): 245–56. https://doi.org/10.1017/S0033291704002892.
Lange, Klaus W., Susanne Reichl, Katharina M. Lange, Lara Tucha, e Oliver Tucha. 2010. “The history of attention deficit hyperactivity disorder”. ADHD Attention Deficit and Hyperactivity Disorders 2 (4): 241–55. https://doi.org/10.1007/s12402-010-0045-8.
Mattos, Paulo, Maria Antonia Serra-Pinheiro, Luis Augusto Rohde, e Diana Pinto. 2006. “Apresentação de uma versão em português para uso no Brasil do instrumento MTA-SNAP-IV de avaliação de sintomas de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade e sintomas de transtorno desafiador e de oposição”. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul 28 (3): 290–97. https://doi.org/10.1590/S0101-81082006000300008.
Moffitt, Terrie E., Renate Houts, Philip Asherson, et al. 2015. “Is Adult ADHD a Childhood-Onset Neurodevelopmental Disorder? Evidence From a Four-Decade Longitudinal Cohort Study”. American Journal of Psychiatry 172 (10): 967–77. https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2015.14101266.
Panizzon, Leandro. 1944. “La preparazione di piridil- e piperidil-arilacetonitrili e di alcuni prodotti di trasformazione (Parte Iª)”. Helvetica Chimica Acta 27 (1): 1748–56. https://doi.org/10.1002/hlca.194402701222.
Thomas, Rae, Sharon Sanders, Jenny Doust, Elaine Beller, e Paul Glasziou. 2015. “Prevalence of attention-deficit/hyperactivity disorder: a systematic review and meta-analysis”. Pediatrics 135 (4): e994–1001. https://doi.org/10.1542/peds.2014-3482.
Timimi, Sami, e Eric Taylor. 2004. “ADHD is best understood as a cultural construct”. The British Journal of Psychiatry 184 (1): 8–9. https://doi.org/10.1192/bjp.184.1.8.
World Health Organization. 2019. International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11): 6A05 Attention deficit hyperactivity disorder. ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics. https://icd.who.int/browse/2024-01/mms/en#821852937.
World Health Organization. 2024. Clinical descriptions and diagnostic requirements for ICD-11 mental, behavioural and neurodevelopmental disorders. World Health Organization. https://www.who.int/publications/i/item/9789240077263.