Debate

Duplas cruzadas: um aluno de cada lado

Como funciona

  1. Forme uma dupla com alguém do outro grupo.
  2. Cada integrante apresenta o seu texto em até dois minutos.
  3. Em seguida, discutam as perguntas abaixo. Não é necessário chegar a um consenso.

Perguntas para a dupla

1. A mesma analogia, conclusões opostas

Os dois textos comparam o TDAH à altura. Barkley diz que a contribuição genética aos traços do TDAH é alta, “nearly approaching the genetic contribution to human height”. Timimi diz que o TDAH está associado à “normal genetic variation found with traits such as height”.

Se o TDAH é como a altura, ele é uma doença? Onde fica o ponto de corte entre “baixo” e “doente”?

2. Neuroimagem

Barkley afirma que estudos de imagem mostram áreas cerebrais menores e menor atividade metabólica em grupos com TDAH. Timimi afirma que esses estudos têm amostras pequenas, resultados inconsistentes e não separam o efeito do medicamento.

Que estudo resolveria essa discordância?

3. O critério de realidade

Barkley propõe que uma condição é um transtorno real quando há (a) uma falha de um mecanismo psicológico universal e (b) dano à pessoa. Timimi diz que não há marcadores cognitivos, metabólicos ou neurológicos específicos.

O critério de Barkley exige um marcador biológico? O que ele exige, então?

4. Quem fala, e de onde

Barkley chama os críticos de “fringe doctors” com uma “political agenda”. Timimi aponta os interesses da indústria farmacêutica. No artigo da BJP, Timimi declara não ter conflito de interesse.

Quando um argumento científico ataca a motivação do outro lado, o que isso acrescenta ou tira do argumento?

Eric Taylor, que escreve contra Timimi no mesmo artigo da BJP, é um dos signatários do consenso de Barkley (2002). Mas a primeira frase de Taylor na BJP é: “Hyperactivity is neither a social construct nor a genetic disease.”

Existe uma terceira posição entre “doença” e “construto”? Qual seria?

  • O consenso de 2002 dizia que um gene tinha sido associado de forma confiável ao TDAH. Em 2023, uma meta-análise genômica com 38.691 pessoas com TDAH e 186.843 controles identificou 27 loci de risco e estimou que 84% a 98% das variantes que influenciam o TDAH são compartilhadas com outros transtornos psiquiátricos (Demontis et al. 2023).
  • Em 2021, a World Federation of ADHD publicou um novo consenso, com 208 conclusões baseadas em evidências, para atualizar o de 2002 (Faraone et al. 2021).

Esses dados favorecem qual lado? Ou complicam os dois?

Prossiga para a Síntese.

Referências

Demontis, Ditte, G. Bragi Walters, Georgios Athanasiadis, et al. 2023. “Genome-wide analyses of ADHD identify 27 risk loci, refine the genetic architecture and implicate several cognitive domains”. Nature Genetics 55 (2): 198–208. https://doi.org/10.1038/s41588-022-01285-8.
Faraone, Stephen V., Tobias Banaschewski, David Coghill, et al. 2021. “The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder”. Neuroscience & Biobehavioral Reviews 128: 789–818. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2021.01.022.