Escalas

Instrumentos de triagem de livre uso, com versão brasileira

ImportanteEscala não é diagnóstico

Escalas de sintomas rastreiam e quantificam; não diagnosticam. O diagnóstico é clínico: história do desenvolvimento, mais de um informante, mais de um ambiente, exclusão de outras causas e avaliação do prejuízo.

SNAP-IV domínio público

Para quem: crianças e adolescentes, respondida por pais e professores.

O que é: escala de Swanson, Nolan e Pelham baseada nos sintomas do DSM. A versão do estudo MTA tem 26 itens: 9 de desatenção, 9 de hiperatividade-impulsividade e 8 de transtorno desafiador e de oposição. Cada item é pontuado de 0 a 3 (“nem um pouco”, “só um pouco”, “bastante”, “demais”).

Versão brasileira: Mattos e colaboradores (2006) apresentaram a tradução e adaptação brasileira, publicada na Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. O próprio artigo informa que a SNAP-IV é um questionário de domínio público (Mattos, Serra-Pinheiro, et al. 2006).

Preencher a SNAP-IV interativa Abrir o artigo (SciELO)

ASRS v1.1 uso livre (triagem)

Para quem: adultos, autoaplicada.

O que é: a Adult ADHD Self-Report Scale, desenvolvida com a Organização Mundial da Saúde. Tem 18 perguntas sobre a frequência dos sintomas nos últimos 6 meses; seis delas formam a triagem curta (Parte A). No estudo de validação, a triagem de seis perguntas teve sensibilidade de 68,7% e especificidade de 99,5% (Kessler et al. 2005).

Versão brasileira: adaptação transcultural de Mattos e colaboradores (2006) (Mattos, Segenreich, et al. 2006).

Direitos: a triagem de seis perguntas é de uso livre, sem necessidade de autorização, desde que não seja alterada (todas as opções de resposta, o algoritmo de pontuação e o sombreamento das respostas). O copyright é da New York University e da Harvard. Os autores pedem que se aponte para a página deles em vez de hospedar cópias.

Página oficial da ASRS (Harvard) Triagem em português do Brasil (PDF)

Instrumentos de uso restrito licença comercial

Escalas como as de Conners (para crianças e adultos) são comercializadas por editoras e exigem compra e treinamento. Não estão disponíveis aqui.

Como usar em aula

  1. Aplique a ASRS (Parte A) em você mesmo. Quantas perguntas caíram na faixa sombreada?
  2. Agora pense: em uma turma de Medicina, na semana de provas, quantos colegas pontuariam positivo?
  3. O que isso diz sobre especificidade, prevalência e o papel do contexto no rastreamento?

Referências

Kessler, Ronald C., Lenard Adler, Minnie Ames, et al. 2005. “The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population”. Psychological Medicine 35 (2): 245–56. https://doi.org/10.1017/S0033291704002892.
Mattos, Paulo, Daniel Segenreich, Eloísa Saboya, Mário Louzã, Gabriela Dias, e Marcos Romano. 2006. “Adaptação transcultural para o português da escala Adult Self-Report Scale para avaliação do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos”. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo) 33 (4): 188–94. https://doi.org/10.1590/S0101-60832006000400004.
Mattos, Paulo, Maria Antonia Serra-Pinheiro, Luis Augusto Rohde, e Diana Pinto. 2006. “Apresentação de uma versão em português para uso no Brasil do instrumento MTA-SNAP-IV de avaliação de sintomas de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade e sintomas de transtorno desafiador e de oposição”. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul 28 (3): 290–97. https://doi.org/10.1590/S0101-81082006000300008.