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Código de Nuremberg (1947)

Figura 10.1: Réus no banco do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg (1945–46). O Código de Nuremberg nasceu do julgamento seguinte, o dos médicos (1946–47). Foto: Governo dos EUA, domínio público (Wikimedia Commons).

O Código de Nuremberg representa o primeiro esforço internacional formal para estabelecer diretrizes éticas na pesquisa com seres humanos. Ele foi elaborado a partir dos julgamentos de médicos nazistas no Tribunal Militar Internacional, durante os Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial. Entre dezembro de 1946 e agosto de 1947, vinte médicos foram julgados por crimes de guerra, incluindo experiências cruéis com prisioneiros em campos de concentração. A elaboração do código foi orientada por um parecer técnico do médico Leo Alexander, que contribuiu diretamente para os dez princípios finais (Shuster, 1997).

Os princípios do Código de Nuremberg incluem:

  1. Consentimento voluntário: o participante deve ter capacidade legal para consentir, deve estar informado dos riscos e deve concordar livremente, sem coerção ou engano.

  2. Utilidade científica: o experimento deve buscar resultados benéficos para a sociedade, que não possam ser obtidos por outros meios.

  3. Base em conhecimento prévio: deve haver fundamentação teórica e resultados de experimentos prévios com animais.

  4. Evitar sofrimento: os riscos devem ser minimizados e o sofrimento físico ou mental desnecessário deve ser evitado.

  5. Nenhuma expectativa de morte ou lesão grave: exceto quando os próprios pesquisadores também se expõem aos mesmos riscos.

  6. Proporcionalidade entre risco e benefício: o risco nunca pode superar o potencial benefício humanitário.

  7. Proteção adequada ao participante: medidas devem ser tomadas para proteger os participantes contra danos previsíveis.

  8. Qualificação científica dos pesquisadores: os estudos devem ser conduzidos por profissionais qualificados.

  9. Liberdade para se retirar: o participante pode interromper sua participação a qualquer momento.

  10. Responsabilidade do pesquisador: deve suspender o experimento se houver risco de dano ou morte (Shuster, 1997).

Apesar de sua importância histórica, o Código de Nuremberg foi ignorado por muitos anos na prática médica, e sua implementação efetiva só ganhou força a partir dos anos 1960, com o fortalecimento da bioética e o surgimento de escândalos em pesquisas médicas conduzidas fora da Alemanha nazista.

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