Terapêutica Clínica - Módulo Saúde Mental
  • Início
  • Aulas
    • Aula 1 — Benzodiazepínicos
    • Aula 2 — ISRS
    • Aula 3 — Medicalização excessiva

    • Aulas extras
    • Extra — Transtorno bipolar
    • Extra — Antipsicóticos
  • Como estudar
  • Apêndice
  • Créditos
  • Professores
    • Área dos professores
    • Como editar o material
  1. Teoria 2 — Contexto: saúde, sofrimento e desinstitucionalização
  • Aula 3 — Medicalização excessiva
  • Teoria 1 — A medicalização da vida
  • Teoria 2 — Contexto: saúde, sofrimento e desinstitucionalização
  • Teoria 3 — Mais tratamento, melhores resultados?
  • Teoria 4 — Desprescrever: a farmacologia da retirada
  • Teoria 5 — Gestação e puerpério
  • Leituras comentadas — Desprescrição de antidepressivos
  • Caso 1 — Polifarmácia e desprescrição
  • Caso 2 — Psicose puerperal
  • Caso 3 — Medicalização na infância

Teoria 2 — Contexto: saúde, sofrimento e desinstitucionalização

Determinantes sociais e a nova desinstitucionalização

“Saúde é a ausência de medo.” — Sérgio Arouca

Pensar a saúde apenas pela dimensão biomédica é insuficiente: ela ultrapassa o corpo e envolve cidadania, direitos e participação social — os determinantes sociais do processo saúde–doença. No campo da saúde mental, o modelo biomédico tradicional supõe que o sofrimento resulta de alterações localizadas no cérebro, corrigíveis por fármacos. Esse modelo, porém, tem dificuldade em produzir benefícios significativos e sustentáveis para a população.

O período pós-reforma psiquiátrica foi marcado pela expansão do uso de psicotrópicos e pela consolidação de políticas centradas na medicalização do sofrimento — fenômeno cultural que se intensificou a partir dos anos 1990 e ganhou força nos anos 2000. O uso massivo desses medicamentos tornou-se um marcador de vulnerabilidade social e sanitária (as mulheres usam psicotrópicos em maior proporção desde a década de 1970). Os diagnósticos deixaram de ser apenas categorias clínicas e passaram a oferecer pertencimento e identidade: muitas pessoas organizam parte de sua experiência a partir do rótulo que recebem.

Daí a proposta de uma nova desinstitucionalização. Diferente da reforma clássica, voltada à superação dos manicômios, o desafio contemporâneo envolve uma população muito maior, inserida na comunidade, porém frequentemente dependente de diagnósticos e medicamentos para organizar sua relação com o sofrimento. Alguns eixos propostos para a desmedicalização:

  • qualificação das práticas de prescrição;
  • revisão das categorias diagnósticas usadas para explicar sofrimentos produzidos por vulnerabilidades sociais;
  • construção de projetos terapêuticos temporários, evitando naturalizar o uso contínuo de psicotrópicos;
  • desenvolvimento de tecnologias leves (vínculo, escuta, acompanhamento) em toda a rede;
  • criação de pontos focais para promover estratégias de desmedicalização.
Teoria 1 — A medicalização da vida
Teoria 3 — Mais tratamento, melhores resultados?

Dr. Henrique Alvarenga da Silva · Médico Psiquiatra · CRM-MG 31.778 · RQE 8381
henriquealvarenga.com

Créditos · Como citar · GitHub

CC BY-NC-SA 4.0 · Conteúdo educacional, não constitui orientação de prescrição.