Terapêutica Clínica - Módulo Saúde Mental
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  1. Aula extra — Transtorno bipolar
  • Aula extra — Transtorno bipolar
  • Caso 1 — Mania aguda com sintomas psicóticos
  • Caso 2 — Depressão bipolar
  • Caso 3 — Manutenção e adesão

Nesta página

  • Introdução
  • Os três casos desta aula
  • Reflexões
  • Leituras de apoio
  • Referências
    • Tarefas

Aula extra — Transtorno bipolar

A doença que muda de fase · um paciente, vários tratamentos

Introdução

As duas primeiras aulas associaram um problema a uma classe de medicamento: crise aguda, benzodiazepínico; transtorno crônico do humor ou da ansiedade, ISRS. Ao contrário desses casos, o transtorno bipolar não tem um tratamento, mas vários, dependendo da fase em que o paciente está.

O mesmo paciente pode precisar de um medicamento para a mania, de outro para a depressão bipolar, de algo para a agitação ou para os sintomas psicóticos (delírios, alucinações) de uma crise grave, e de um tratamento de manutenção para evitar que tudo volte. E o medicamento certo para uma fase pode ser inadequado, ou contraindicado, em outra.

Conceitos

O transtorno bipolar é um transtorno do humor caracterizado pela alternância entre polos:

  • Mania / hipomania: humor elevado ou irritável, energia aumentada, menos necessidade de sono, aceleração do pensamento, grandiosidade, impulsividade. Na mania grave pode haver sintomas psicóticos (delírios de grandeza, alucinações).
  • Depressão bipolar: clinicamente parecida com a depressão da Aula 2, mas que exige tratamento diferente.

As classes de medicamentos envolvidas:

  • Estabilizadores de humor: lítio, valproato (divalproato), lamotrigina, carbamazepina.
  • Antipsicóticos (sobretudo os de 2ª geração / “atípicos”): quetiapina, olanzapina, aripiprazol, risperidona, lurasidona, cariprazina, entre outros — usados tanto na mania quanto, alguns deles, na depressão bipolar.
  • Benzodiazepínicos: papel coadjuvante e temporário para agitação e insônia.
  • Antidepressivos (ISRS e outros): entram aqui com cautela e, em algumas situações, são contraindicados.

Os três casos desta aula

Os três casos acompanham o mesmo paciente em momentos diferentes, para mostrar que tratar é uma sequência de decisões no tempo, e não uma escolha única.

  1. 01Mania aguda com sintomas psicóticos — Lucas, 26 anos · Três dias sem dormir
  2. 02Depressão bipolar — Lucas, três meses depois · A queda depois do voo
  3. 03Manutenção e adesão — Lucas, um ano depois · Ficar bem e continuar bem

Reflexões

  • O benzodiazepínico pode ser coadjuvante temporário na agitação da mania.
  • O ISRS pode ser usado com cautela: o que trata a depressão unipolar pode desestabilizar a bipolar.
  • Estabilizadores de humor e antipsicóticos se justificam porque a doença muda de fase.

Leituras de apoio

  • Diretriz central sobre primeira linha em mania, depressão bipolar e manutenção (1).
  • Resumo visual das hierarquias de tratamento agudo do bipolar (2).
  • Visão geral do transtorno bipolar (3).
  • Lítio: janela terapêutica, monitorização e toxicidade (4).
  • Critérios de episódio maníaco, hipomaníaco e dos transtornos bipolares I e II (5).

Procure também as diretrizes brasileiras (ABP) e um livro-texto de psicofarmacologia (6).

Referências

1.
Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, Schaffer A, Bond DJ, Frey BN, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disorders. 2018;20(2):97–170.
2.
Neurotorium. Bipolar disorder: acute treatment (slide deck) [Internet]. [citado 25 de junho de 2026]. Disponível em: https://neurotorium.org/slidedeck/bipolar-disorder-acute-treatment/
3.
Bipolar Disorder [Internet]. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; [citado 25 de junho de 2026]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK558998/
4.
Lithium [Internet]. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; [citado 25 de junho de 2026]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK519062/
5.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5th, text revision. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.
6.
Stahl SM. Stahl’s Essential Psychopharmacology: Neuroscientific Basis and Practical Applications. 5º ed. Cambridge: Cambridge University Press; 2021.

Tarefas

Parte A — Roteiro clínico. Responda às questões dos três casos (1, 2 e 3).

Parte B — Reflexão escrita (cerca de 1 página). Escolha um tema:

(i) Escreva, em linguagem acessível, o que você diria a Lucas no Caso 3 (manutenção), quando ele pergunta se pode parar a medicação porque “está bem”. Seja honesto sobre os efeitos colaterais que o incomodam e ajude-o a entender o risco da suspensão.

(ii) As três aulas começaram com a ideia de que cada problema tem seu medicamento e terminaram mostrando que o mesmo paciente precisa de medicamentos diferentes em momentos diferentes. Escreva uma reflexão sobre o que isso muda no modo de pensar a terapêutica.

Cite ao menos uma das diretrizes e indique como usou ferramentas de IA/busca. Veja a página Como estudar com IA.

Caso 1 — Mania aguda com sintomas psicóticos

Dr. Henrique Alvarenga da Silva · Médico Psiquiatra · CRM-MG 31.778 · RQE 8381
henriquealvarenga.com

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CC BY-NC-SA 4.0 · Conteúdo educacional, não constitui orientação de prescrição.