Caso 2 — Depressão bipolar
A queda depois do voo · Lucas, três meses depois
DEPRESSÃO BIPOLAR
A crise maníaca de Lucas foi controlada e ele teve alta em uso de medicação. Três meses depois, volta ao ambulatório — agora do polo oposto. Está profundamente deprimido: sem energia, dormindo demais, sem prazer em nada, com lentidão e sentimentos de culpa por “tudo o que fez” durante a mania. Pergunta se não dá para “tomar aquele remédio de depressão que todo mundo toma”.
Reflexão
O paciente com transtorno bipolar não pode ser tratado “como uma depressão comum”. É preciso cuidado com pedido de Lucas — “me dá um antidepressivo”. O tratamento da depressão bipolar é diferente do da depressão unipolar da Aula 2, e prescrever um ISRS isolado a um paciente bipolar pode desencadear uma virada (switch) para a mania ou acelerar a ciclagem. Este caso mostra que o mesmo sintoma (humor deprimido) pede tratamentos diferentes conforme o diagnóstico de base.
Roteiro de estudo
- Clinicamente, a depressão bipolar e a depressão unipolar podem parecer idênticas. Que pistas na história ajudam a suspeitar que uma depressão é, na verdade, bipolar?
- Por que dar um ISRS isolado a Lucas agora pode ser uma má ideia? Explique os conceitos de virada maníaca (switch) e de aceleração de ciclagem.
- Quais são as opções de primeira linha para a depressão bipolar segundo as diretrizes (p. ex. CANMAT/ISBD)? (Pesquise: quetiapina, lurasidona, lítio, lamotrigina — note que vários não são antidepressivos no sentido clássico.)
- A lamotrigina tem um papel particular na depressão/manutenção bipolar. Qual? E por que ela precisa ser titulada lentamente?
- Se, ainda assim, um antidepressivo for usado na depressão bipolar, que precaução é regra?
- Lucas expressa culpa intensa pelo que fez na mania. Além da farmacologia, que abordagem de psicoeducação ajudaria a família e o paciente a entender a doença como cíclica e tratável, reduzindo a culpa?