Terapêutica Clínica - Módulo Saúde Mental
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  1. Caso 2 — Efeitos adversos e adesão
  • Aula extra — Antipsicóticos
  • Caso 1 — Primeiro episódio psicótico
  • Caso 2 — Efeitos adversos e adesão
  • Caso 3 — Esquizofrenia resistente e clozapina

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  • Reflexão
  • Roteiro de estudo

Caso 2 — Efeitos adversos e adesão

Os efeitos que aparecem antes da melhora · Daniel, algumas semanas depois

EFEITOS ADVERSOS · ADESÃO

Daniel iniciou um antipsicótico de 2ª geração e os delírios e vozes começaram a recuar — está mais conectado com a realidade. Mas surgiram problemas: ganhou peso rapidamente, sente-se “lento e apagado”, e os pais notam que ele às vezes fica com o corpo inquieto, sem conseguir parar de mexer as pernas, dizendo que “não consegue ficar parado por dentro”. Daniel está incomodado e comenta que pensou em parar o remédio “porque me deixa pior do que eu estava”.

Reflexão

Os efeitos adversos costumam aparecer antes (ou junto) da melhora, e são a principal causa de abandono. Na esquizofrenia isso é especialmente grave, porque abandonar o tratamento é a principal causa de recaída — e cada recaída pode deixar sequelas. Entender e explicar os efeitos adversos é o que permite ao médico ajustar o tratamento antes que o paciente desista dele.

Dois grandes grupos de efeitos adversos

  • Extrapiramidais (motores) — decorrem do bloqueio de dopamina nas vias motoras. Incluem parkinsonismo (rigidez, lentidão), distonia aguda (contrações musculares súbitas), acatisia (a inquietação interna que Daniel descreve) e, a longo prazo, a discinesia tardia (movimentos involuntários, por vezes irreversíveis). Mais comuns com os típicos.
  • Metabólicos — ganho de peso, aumento de glicose e colesterol, risco de diabetes. Mais comuns com vários atípicos (sobretudo olanzapina e clozapina). É por isso que diretrizes recentes insistem em monitorar a saúde metabólica desde o início.

Roteiro de estudo

  1. A inquietação que impede Daniel de “ficar parado por dentro” tem um nome específico. Qual é, e a que grupo de efeitos adversos pertence? Por que é tão importante reconhecê-la? (ela é frequentemente confundida com piora da própria psicose ou com ansiedade)
  2. Diferencie os quatro efeitos extrapiramidais: parkinsonismo, distonia aguda, acatisia e discinesia tardia. Qual deles é a maior preocupação a longo prazo e por quê?
  3. O ganho de peso de Daniel é um risco de saúde e de adesão. Que medidas podem ser tomadas? (Pesquise: troca de antipsicótico, monitorização metabólica, e o papel de medicamentos como a metformina que algumas diretrizes recentes sugerem considerar.)
  4. Daniel quer parar. Como você conduziria? Compare o risco de manter (efeitos adversos) com o risco de suspender (recaída psicótica). Que ajustes permitiriam manter o tratamento de forma tolerável?
  5. Por quanto tempo se mantém o antipsicótico após a melhora de um primeiro episódio? Por que não se suspende assim que os sintomas somem?
Caso 1 — Primeiro episódio psicótico
Caso 3 — Esquizofrenia resistente e clozapina

Dr. Henrique Alvarenga da Silva · Médico Psiquiatra · CRM-MG 31.778 · RQE 8381
henriquealvarenga.com

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CC BY-NC-SA 4.0 · Conteúdo educacional, não constitui orientação de prescrição.