1 Cobertura Vacinal

A cobertura vacinal é um indicador de proteção coletiva que mede a proporção da população-alvo que recebeu determinada vacina em um período. É fundamental para avaliar o desempenho do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o risco de ressurgimento de doenças imunopreveníveis (Brasil. Ministério da Saúde, 2024).

Cobertura Vacinal (%) = (Doses aplicadas na população-alvo / População-alvo) × 100

1.1 Metas de cobertura e imunidade coletiva

Cada vacina possui uma meta específica de cobertura, que depende da transmissibilidade do agente (R₀) e da eficácia da vacina.

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metas <- tibble::tribble(
  ~Vacina, ~`Meta (%)`, ~`Doença prevenida`, ~`R₀ aproximado`,
  "BCG",                     90, "Tuberculose (formas graves)",   "2–5",
  "Poliomielite (VIP/VOP)",  95, "Poliomielite",                 "5–7",
  "Tríplice viral (SCR)",    95, "Sarampo, caxumba, rubéola",    "12–18",
  "Pentavalente (DTP-Hib-HB)", 95, "Difteria, tétano, coqueluche, Hib, Hepatite B", "5–17",
  "Febre amarela",           95, "Febre amarela",                "4–7",
  "COVID-19 (esquema primário)", 90, "COVID-19",                 "3–8",
  "HPV",                     80, "HPV (câncer cervical)",        "—",
  "Influenza",               90, "Gripe (grupos prioritários)",  "1–2"
)

tabela_indicador(metas)
Tabela 1: Metas de cobertura vacinal — PNI/Brasil
Vacina Meta (%) Doença prevenida R₀ aproximado
BCG 90 Tuberculose (formas graves) 2–5
Poliomielite (VIP/VOP) 95 Poliomielite 5–7
Tríplice viral (SCR) 95 Sarampo, caxumba, rubéola 12–18
Pentavalente (DTP-Hib-HB) 95 Difteria, tétano, coqueluche, Hib, Hepatite B 5–17
Febre amarela 95 Febre amarela 4–7
COVID-19 (esquema primário) 90 COVID-19 3–8
HPV 80 HPV (câncer cervical)
Influenza 90 Gripe (grupos prioritários) 1–2

1.2 Queda da cobertura vacinal no Brasil

O Brasil, que foi referência mundial em imunização, vem enfrentando uma queda preocupante nas coberturas desde 2016.

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# Valores aproximados baseados em SI-PNI/DATASUS — consulte TabNet para dados exatos
cob_vacinal <- tibble::tribble(
  ~ano, ~triplice_viral, ~polio, ~pentavalente,
  2010, 99.9, 100.0, 98.3,
  2012, 99.5,  96.5, 93.8,
  2014, 97.1, 96.8, 94.9,
  2016, 95.4, 84.4, 89.3,
  2017, 83.8, 84.7, 80.5,
  2018, 92.6, 89.5, 87.5,
  2019, 93.1, 84.2, 80.0,
  2020, 81.6, 76.1, 76.2,
  2021, 80.7, 77.2, 75.1,
  2022, 83.0, 77.2, 80.8,
  2023, 89.7, 84.6, 86.0
)

cob_long <- cob_vacinal |>
  pivot_longer(-ano, names_to = "vacina", values_to = "cobertura") |>
  mutate(vacina = case_match(vacina,
    "triplice_viral" ~ "Tríplice Viral",
    "polio" ~ "Poliomielite",
    "pentavalente" ~ "Pentavalente"
  ))

ggplot(cob_long, aes(x = ano, y = cobertura, color = vacina)) +
  geom_line(linewidth = 1) +
  geom_point(size = 2) +
  geom_hline(yintercept = 95, linetype = "dashed", color = "#333", linewidth = 0.5) +
  annotate("text", x = 2022, y = 96.5, label = "Meta: 95%",
           fontface = "italic", size = 3, color = "#333") +
  scale_color_manual(values = c(
    "Tríplice Viral" = "#2c7fb8",
    "Poliomielite" = "#d95f02",
    "Pentavalente" = "#1b9e77"
  )) +
  scale_y_continuous(limits = c(70, 105), breaks = seq(70, 100, 5)) +
  labs(
    title = "Queda da cobertura vacinal no Brasil (2010–2023)",
    subtitle = "Nenhuma das três vacinas atingiu a meta de 95% nos últimos 5 anos",
    x = "Ano", y = "Cobertura (%)", color = "Vacina",
    caption = "Fonte: SI-PNI / DATASUS (valores aproximados — não usar como estatística oficial)"
  ) +
  tema_indicadores()
Figura 1: Evolução da cobertura vacinal de vacinas selecionadas — Brasil
ImportanteConsequências da queda
  • Sarampo: surtos em 2018-2019 após anos sem transmissão endêmica
  • Poliomielite: risco de reintrodução em municípios com cobertura < 80%
  • Coqueluche: aumento de casos em lactentes jovens

1.3 Cobertura vacinal por região

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# Valores aproximados baseados em SI-PNI/DATASUS — consulte TabNet para dados exatos
cob_regiao <- tibble::tribble(
  ~regiao, ~cobertura,
  "Sul",          93.5,
  "Sudeste",      91.2,
  "Centro-Oeste", 89.8,
  "Nordeste",     87.3,
  "Norte",        82.1
)

ggplot(cob_regiao, aes(x = reorder(regiao, cobertura), y = cobertura, fill = regiao)) +
  geom_col(width = 0.6) +
  geom_hline(yintercept = 95, linetype = "dashed", color = "#333") +
  geom_text(aes(label = paste0(fmt_br(cobertura), "%")), hjust = -0.1, size = 4) +
  coord_flip() +
  scale_fill_manual(values = cores_regioes) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 105)) +
  labs(
    title = "Desigualdade regional na cobertura vacinal",
    subtitle = "Nenhuma região atingiu a meta de 95% para Tríplice Viral em 2023",
    x = NULL, y = "Cobertura (%)",
    caption = "Fonte: SI-PNI / DATASUS (valores aproximados — não usar como estatística oficial)"
  ) +
  tema_indicadores() +
  theme(legend.position = "none")
Figura 2: Cobertura da Tríplice Viral (D1, 1 ano) por região — 2023

1.4 Fatores associados à queda

  1. Hesitação vacinal e desinformação em redes sociais
  2. Dificuldades logísticas — horários limitados das UBS, falta de estoque
  3. Percepção de risco reduzida — sucesso das vacinas tornou as doenças “invisíveis”
  4. Pandemia de COVID-19 — desorganização dos serviços de rotina
  5. Mudanças no sistema de registro — migração do SI-PNI para novo sistema
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Referências

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Nacional de Imunizações — Coberturas Vacinais. SI-PNI / DATASUS, 2024. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/dhdat.exe?bd_pni/cpnibr.def.