Casos clássicos

Seis exemplos para discussão metodológica em sala

Sobre esta seção

Os casos abaixo são exemplos paradigmáticos da literatura clínica recente em que a evidência observacional sustentou uma expectativa de efeito que ensaios randomizados subsequentes mataram, modificaram ou complicaram. Cada caso é discutido com estrutura comum — contexto clínico, evidência observacional, evidência experimental, lição metodológica — e finaliza com perguntas para discussão em sala. As referências são primárias e verificadas em PubMed.

A intenção pedagógica não é apresentar uma lista de “estudos que erraram”. A maior parte dos investigadores citados trabalhou dentro do estado da arte da época e produziu dados sólidos; o que mudou foi a qualidade da inferência possível à medida que evidências de tipos diferentes se acumularam. Os casos servem para tornar concretos os argumentos abstratos da seção Causalidade — confundimento por usuário saudável, causalidade reversa, falácia do componente ativo, problema do desfecho substituto, comparador e formulação como variáveis ocultas.

Os seis casos

Caso Tema metodológico central
Terapia de reposição hormonal Confundimento por usuário saudável; heterogeneidade por idade; do NHS ao WHI
Vitamina E Plausibilidade biológica como critério necessário mas não suficiente; dose alta e dano
Betacaroteno Falácia do componente ativo; resposta heterogênea por população (fumantes vs não fumantes)
Vitamina D Causalidade reversa; triangulação entre RCT e randomização mendeliana
Ômega-3 Caso ainda em evolução; importância da formulação e do comparador; sinal de fibrilação atrial
Antiarrítmicos pós-IAM (CAST) Problema do desfecho substituto; o ensaio que detectou e parou o dano

Como usar em aula

Cada caso pode ser lido isoladamente. Para uso didático sequencial, sugere-se a ordem da tabela acima — começa com TRH (o caso paradigmático de confundimento), avança por mecanismos cada vez mais específicos, e fecha com CAST (o exemplo mais limpo do problema do substituto).

Os exercícios ao final de cada caso são pensados para discussão em pequeno grupo, com 20–30 minutos por caso. Não há respostas-modelo: a maior parte das perguntas admite resposta defensável em mais de uma direção, e o objetivo da discussão é articular argumentos.