Caso clínico · 6 etapas
Raciocine o caso
Acompanhe o caso por etapas. Em cada uma, registre seu raciocínio clínico e depois compare com o que a história de Lowell realmente mostra. Não há pontuação: o objetivo é comparar seu raciocínio com o curso real da doença.
- 1 Apresentação
- 2 Tratamento disponível
- 3 Evolução após a melhora
- 4 Prognóstico
- 5 Profilaxia
- 6 Um novo quadro em 1975
Etapa 1 de 6 · Apresentação
O que se observa
Lowell começou a abusar de álcool, sua mente começou a se acelerar, sua produção literária aumentou até se desorganizar
Em fevereiro de 1949 começou a se preocupar obsessivamente com a influência de comunistas em sua região, evoluindo para um quadro de excitação, exaltação do humor e delírios de cunho místico-religioso.
Lowell deu entrada no Baldpate Hospital no dia 06 de abril de 1949. Foram cerca de 4 meses de evolução de sua crise, que começou no final de 1948. Lowell, nessa primeira internação, foi descrito como eufórico, excitado, hiperativo, exaltado, e falando sem cessar.
Em resumo, estava num estado de mania
Etapa 2 de 6 · Tratamento disponível
O que se observa
Sua noiva, Elizabeth Hardwick, contou que os meses que antecederam a internação foram assustadores. Muitos de seus amigos só compreenderam que Lowell estava realmente doente quando ele foi internado.
Em junho de 1949, ainda no hospital, Lowell foi tratado com seis sessões de eletroconvulsoterapia (ECT), o único tratamento disponível na época para a mania. Seus delírios e sua agitação melhoraram quase que imediatamente.
Por que não o lítio? John Cade redescobriu seu efeito na mania em 1948, no Bundoora Repatriation Hospital, perto de Melbourne, mas publicou os resultados apenas em 3 de setembro de 1949, no Medical Journal of Australia. Nos Estados Unidos, o momento era o oposto: no início de 1949, o cloreto de lítio, vendido sem controle como substituto do sal de cozinha para cardíacos e hipertensos, causou intoxicações graves e algumas mortes. Em fevereiro e março daquele ano, a FDA recolheu esses produtos e proibiu o uso do lítio, proibição que só caiu em 1970, quando os EUA se tornaram o 50º país a aprová-lo.
Por que não os outros? A clorpromazina só chegou à psiquiatria em 1952, e os primeiros antidepressivos, a iproniazida e a imipramina, em 1957.
Fontes: Cade, 1949; Schioldann, 2009; Shorter, 2009
Etapa 3 de 6 · Evolução após a melhora
O que se observa
Seus delírios e sua agitação melhoraram quase que imediatamente.
Entretanto, uma semana depois Lowell entrou num estado depressivo grave. Sentia-se incapaz de escrever, de concentrar, seu pensamento estava lentificado, sentia-se sem energia. Preferia ficar sozinho e teve pensamentos suicidas
Ao sair de hospital estava ainda depressivo, se sentindo humilhado por tudo que havia feito durante sua crise de mania. Sentia-se consumido pela culpa e remorso por todo sofrimento que havia causado.
Etapa 4 de 6 · Prognóstico
O que se observa
Depois dessa internação Lowell escreveu que "num período de vinte dias passei pelos três estágios da exuberância, confusão e depressão e posso dizer agora que está tudo terminado, sem nenhum sinal de recaída".
Lowell minimizava a gravidade de sua crise e tinha um otimismo exagerado com o futuro de sua doença. Sua próxima crise, entretanto, viria mais cedo que ele esperava.
Durante os primeiros 18 anos de sua doença, dos 32 aos 50 anos de idade, Lowell vivenciou inúmeras crises de mania, vivenciou inúmeros episódios psicóticos, foi internado por diversas vezes, foi preso em algumas ocasiões e passou por profundos episódios depressivos.
Etapa 5 de 6 · Profilaxia
O que se observa
Em vários de seus episódios de mania apresentava delírios de grandiosidade, às vezes acreditando ser Dante, outras vezes acreditando ser T. S. Eliot, Shakespeare, Homero ou até mesmo Napoleão Bonaparte
Essa demora na aceitação do lítio pela psiquiatria norte americana talvez explique por que Lowell só começou usá-lo por volta do início de 1967, mais de 18 anos depois de lutar contra suas oscilações de humor
O uso do lítio reduziu drasticamente suas internações.
Etapa 6 de 6 · Um novo quadro em 1975
O que se observa
Ele tinha aumentado sua dose de 5 para 8 comprimidos por dia. Seu nível sérico de lítio subiu para 1,5 mEq/L.
Lowell foi internado num quadro de delirium e sua dose de lítio foi reduzida abruptamente.
Daí em diante suas oscilações pioraram e passou por várias internações nos anos de 1975 e 1976.
Fechamento
Seu raciocínio e a história
Etapa Sua escolha Resultado O transtorno bipolar pode ser um fardo enorme para o paciente e para sua família. A história de Robert Lowell é um exemplo de como a doença pode ser devastadora, mesmo para pessoas talentosas e bem-sucedidas.
As medicações, a psicoeducação, a psicoterapia e a família são fundamentais para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.