Instalando o Git

Módulo 0 · Instalações

Última parada do Módulo 0. O Git é o sistema de controle de versão que vai acompanhar todo o seu trabalho a partir daqui — análises, manuscritos, scripts, materiais didáticos. Ele permite rastrear cada mudança, voltar a versões antigas, colaborar com outros pesquisadores e publicar o resultado final na web.

O que é o Git

Git é um programa que registra “fotografias” (chamadas commits) do seu projeto ao longo do tempo. Em vez de guardar cópias com nomes como analise_v1.R, analise_v2.R, analise_FINAL.R, analise_FINAL_revisada.R — uma prática que todo pesquisador conhece bem —, o Git mantém um único projeto e lembra automaticamente de cada mudança feita.

A analogia mais útil é a de uma máquina do tempo do código:

  • Você fez uma mudança que quebrou tudo? Volte ao estado de ontem com um comando.
  • O revisor pediu uma análise alternativa, mas você não quer perder a original? Crie uma “linha do tempo paralela” (chamada branch), trabalhe nela e funda depois com a principal.
  • Quer saber quem mudou aquela linha de código no script de limpeza, e por quê? O Git mostra autor, data e uma mensagem explicando a mudança.

Git foi criado em 2005 por Linus Torvalds (o mesmo do Linux) para gerenciar o código-fonte do kernel Linux. Hoje é o padrão de fato em ciência, indústria e, cada vez mais, em pesquisa acadêmica reprodutível.

NotaGit ≠ GitHub

Git é o programa que roda no seu computador (vamos instalar agora). GitHub é um serviço online onde você hospeda projetos Git para compartilhar e colaborar.

São coisas diferentes mantidas por empresas diferentes (Git é projeto livre da comunidade; GitHub é da Microsoft). Você pode usar Git sem GitHub. Vamos ver GitHub apenas no Módulo 3, quando chegarmos em publicação e reprodutibilidade.

Por que Git neste curso

Três motivos:

  1. Histórico completo do trabalho. Tese, artigo ou análise — qualquer trabalho de pesquisa passa por dezenas de iterações. Com Git, você nunca perde uma versão, nunca duplica arquivos, e sempre sabe o que mudou e por quê em cada etapa.

  2. Colaboração estruturada. Com Git + GitHub (Módulo 3), múltiplos coautores podem trabalhar no mesmo projeto ao mesmo tempo sem sobrescrever o trabalho um do outro.

  3. Publicação automática. Sites em Quarto (incluindo este que você está lendo) podem ser publicados gratuitamente no GitHub Pages a partir de um repositório Git. Você atualiza o site empurrando uma nova versão para o GitHub — sem servidores, sem custos, sem complicação.

Instalando o Git

Passo 1. Abra o Terminal e verifique se o Git já está instalado.

Boa parte dos Macs já vem com Git pré-instalado (instalado junto com as Xcode Command Line Tools, um conjunto de ferramentas de desenvolvimento que muitos apps acionam automaticamente).

Abra o Terminal (⌘ + Espaço, digite Terminal, Enter) e digite:

git --version

Caso 1: Git já está instalado. Vai aparecer algo como git version 2.49.0 (Apple Git-...). Está pronto — pode pular direto para a seção “Verificando a instalação” abaixo. Não precisa instalar nada.

Caso 2: Git não está instalado. Vai aparecer uma janela do macOS perguntando se você quer instalar as Command Line Developer Tools. Clique em Instalar e aguarde alguns minutos. Quando concluir, repita git --version no Terminal — agora deve aparecer a versão.

A versão de Git que vem com as Command Line Tools é estável, mas pode ficar para trás em relação à versão mais recente. Para sempre ter a versão atual, usuários de Homebrew podem instalar com:

brew install git

Para o que vamos fazer no curso, a versão das Command Line Tools é mais que suficiente — não precisa atualizar.

O Git não vem instalado por padrão no Windows. Vamos instalar o pacote oficial Git for Windows, que inclui:

  • O Git em si (linha de comando);
  • O Git Bash, um terminal estilo Linux que usaremos em alguns momentos do curso;
  • O Git Credential Manager, que gerencia senhas de forma segura.

Passo 1. Baixe o instalador.

  1. Acesse git-scm.com/download/win.
  2. Clique em Click here to download ou no botão para a versão 64-bit Git for Windows Setup.

Passo 2. Execute o instalador.

  1. Na pasta Downloads, dê duplo-clique no .exe.
  2. Se o Windows mostrar um aviso de segurança, clique em Sim.

O instalador apresenta muitas telas de configuração. Para os fins deste curso, mantenha todas as opções padrão, simplesmente clicando Next em cada tela. Os defaults atuais do Git for Windows são bem escolhidos e funcionam para a maior parte dos usuários.

Se você quiser entender o que está aceitando ao clicar Next em cada tela:

  • Default editor: editor que abrirá quando o Git pedir para você escrever uma mensagem de commit longa. O default sugerido (Vim) é poderoso mas tem curva de aprendizado. Se quiser algo mais amigável, escolha Notepad ou Visual Studio Code as Git’s default editor.
  • Default branch name for new repositories: aceite a opção Override the default branch name → main (substitui o antigo master pelo padrão moderno main).
  • Adjusting your PATH environment: escolha a opção do meio (Git from the command line and also from 3rd-party software) — é o que permite ferramentas como Positron usarem Git.
  • Choosing HTTPS transport backend: a opção padrão (Use the OpenSSL library) é o caminho normal.
  • Configuring the line ending conversions: aceite Checkout Windows-style, commit Unix-style line endings. Esse é o default correto para projetos compartilhados entre sistemas.
  • Configuring the terminal emulator: MinTTY (default) é o terminal mais agradável.
  • Choose the default behavior of git pull: aceite Default (fast-forward or merge).
  • Choose a credential helper: aceite Git Credential Manager (default).

Se algum dia quiser revisar essas escolhas, é só rodar o instalador de novo — ele não desinstala nada.

  1. Clique em Install na última tela e aguarde a conclusão.
  2. Clique em Finish. Você pode desmarcar as caixas que oferecem ler notas de lançamento.

Em quase todas as distribuições Linux, o Git já vem pré-instalado. Para confirmar, abra o terminal e digite:

git --version

Se aparecer um número de versão, está tudo pronto. Pode pular direto para a próxima seção.

Se aparecer “command not found” (raro), instale com o comando da sua distro:

**Ubuntu / Debian / Linux Mint / Pop!_OS:**

sudo apt update
sudo apt install git

Fedora / RHEL / Rocky / CentOS:

sudo dnf install git

Arch / Manjaro:

sudo pacman -S git

Verificando a instalação

Confirme rapidamente que o Git está instalado e funcional. Abra o terminal correspondente ao seu sistema:

  • macOS / Linux: Terminal.
  • Windows: Git Bash (instalado junto com Git for Windows; aparece no Menu Iniciar).

Digite:

git --version

Deve aparecer algo como:

git version 2.49.0

O número exato vai variar — qualquer versão começando com git version 2.x.x está bom para o curso.

Configuração inicial mínima

Antes de fazer qualquer coisa com Git, é preciso configurar três informações básicas. Sem essa configuração, o Git mostra um aviso (e às vezes recusa) quando você tenta criar o seu primeiro registro de mudança.

AvisoFaça este passo agora

Os três comandos abaixo são executados uma única vez na vida do seu computador — depois ficam configurados para sempre. Se você pular agora, vai bater nessa configuração no Módulo 3, no momento em que estiver tentando aprender outra coisa. Melhor já deixar feito.

No mesmo terminal, digite os três comandos abaixo, um de cada vez, substituindo os valores entre aspas pelos seus dados pessoais:

git config --global user.name "Seu Nome Completo"
git config --global user.email "seu.email@exemplo.com"
git config --global init.defaultBranch main

O que cada um faz:

Configuração O que faz
user.name Nome que vai aparecer como autor de cada commit (registro de mudança). Use seu nome real, do jeito que assina trabalhos.
user.email E-mail que vai aparecer junto com cada commit. Use o mesmo e-mail que você vai usar (ou já usa) na conta GitHub.
init.defaultBranch Nome da linha do tempo principal ao criar um novo repositório. O padrão antigo era master; o padrão moderno é main, adotado pela comunidade nos últimos anos.
NotaEsse e-mail vai ficar visível

Quando você publicar projetos no GitHub (Módulo 3), o e-mail configurado em user.email aparece junto com cada commit no histórico público do projeto. Se isso for um problema, o GitHub oferece um e-mail anônimo do tipo seu.usuario@users.noreply.github.com — vamos cobrir isso no Módulo 3. Por enquanto, o seu e-mail institucional ou pessoal regular é o mais simples.

Para conferir que tudo foi salvo corretamente:

git config --global --list

Deve aparecer algo como:

user.name=Seu Nome Completo
user.email=seu.email@exemplo.com
init.defaultbranch=main

Se você cometeu algum erro de digitação, basta rodar o comando de configuração de novo com o valor correto — o novo valor sobrescreve o antigo.

O Git e as IDEs

A boa notícia: depois que o Git está instalado e configurado no sistema, as IDEs do curso o detectam automaticamente — você não precisa configurar nada nelas. Quando você abrir um projeto Git no Positron, vai aparecer uma aba lateral chamada Source Control mostrando arquivos modificados, com botões para fazer commits sem digitar comandos.

Para o Módulo 0, é tudo o que precisamos. Como usar o Git de verdade — comandos, fluxo de trabalho, branches, GitHub, GitHub Pages — é tema do Módulo 3, dedicado integralmente a publicação e reprodutibilidade.

Você terminou o Módulo 0!

Parabéns: seu computador agora está pronto para o curso. Se você seguiu todos os capítulos, instalou:

  • R e Python (linguagens);
  • Positron (e opcionalmente RStudio e VS Code) como IDE;
  • Quarto para escrita técnica e científica;
  • Zotero + Better BibTeX para gerenciar referências;
  • Claude Desktop (e opcionalmente Codex e Gemini CLI) como agentes de IA;
  • Git para controle de versão.

Esse é o “kit completo” que vai acompanhá-lo até o capstone do curso. Pode haver pequenos ajustes mais à frente (como instalar uma extensão Quarto específica), mas o grosso do trabalho de configuração está feito.

O Módulo 1 (Fundamentos) começa explorando os conceitos por trás dessas ferramentas: o que é IA generativa, como agentes funcionam, terminal, e os ambientes de trabalho. É o módulo que prepara o terreno conceitual antes de começar a fazer análises de verdade no Módulo 2.