Holocausto Brasileiro

2016

Rede
Introdução
Psicoses
Documentário
Sobreviventes e ex-funcionários contam a história do Hospital Colônia de Barbacena e do modelo asilar que a Reforma Psiquiátrica veio substituir.
NotaFicha do filme

Cartaz de Holocausto Brasileiro

  • Ano: 2016
  • Direção: Daniela Arbex e Armando Mendz
  • Participantes: sobreviventes e ex-funcionários do Hospital Colônia de Barbacena (MG)
  • Baseado em: livro homônimo de Daniela Arbex
  • Onde saber mais: IMDb · TMDb
  • Cartaz: divulgação, via TMDb

Sinopse

O documentário, produzido pela HBO e pela Vagalume Filmes, reconstitui a história do Hospital Colônia de Barbacena, um dos maiores hospícios do país. Muitos dos internados não tinham diagnóstico psiquiátrico: eram homossexuais, prostitutas, mães solteiras, pessoas pobres ou indesejadas. As fontes falam em mais de 60 mil mortes ao longo do século XX. O filme usa entrevistas e fotografias de época.

Comentário

O documentário mostra o modelo asilar na forma extrema: segregação, morte, perda de identidade e venda de cadáveres. Em Rede, explica por que existiram a Reforma Psiquiátrica e a Lei 10.216/20011 e leva à discussão de como a RAPS (CAPS, residências terapêuticas, Programa De Volta para Casa) substitui o manicômio e de quais são os riscos de retrocesso, como as comunidades terapêuticas e o financiamento de leitos em hospitais psiquiátricos. A Colônia fica no Campo das Vertentes, mesma região de São João del-Rei. Pode ser exibido com o curta Em Nome da Razão, filmado no Colônia em 1979.

Em Introdução, serve à questão sobre as raízes históricas do estigma: muitos internados foram para lá por serem pobres, alcoolistas, epilépticos ou indesejados, e o “louco” do asilo foi muitas vezes uma categoria social. O texto Ascensão e queda da institucionalização põe Barbacena na história mais longa dos asilos. Em Psicoses, dá base histórica à questão sobre o papel atual dos hospitais psiquiátricos e da internação breve em hospital geral.

As imagens são duras, com corpos e maus-tratos, e o título, que compara o Colônia ao Holocausto, pode ser discutido em sala. Convém separar a crítica ao manicômio da crítica ao cuidado em saúde mental. O filme trata do manicômio, não da clínica das psicoses, e pode ser equilibrado com Nise: O Coração da Loucura e com o texto sobre clubhouses.

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