Sinal e ruído: o diagnóstico como detecção de padrões

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Conceitos
Todo diagnóstico começa separando o que importa do que não importa — e o que conta como sinal muda com a história da própria psiquiatria.
NotaSobre este texto

Nota conceitual que conecta o diagnóstico psiquiátrico à teoria da detecção de sinais1: diagnosticar é discriminar sinal de ruído e comparar o padrão encontrado com modelos conceituais. Leia em sequência com Critérios diagnósticos.

Em geral, um processo diagnóstico envolve buscar eventos específicos (sinais) relacionados com uma condição e ignorar ou rejeitar outros eventos ou processos (ruídos) que não estão relacionados1. Uma primeira etapa de um processo diagnóstico é, portanto, discriminar entre o que é um sinal e o que é um ruído. Numa etapa subsequente, o processo diagnóstico envolve determinar se o padrão de sinais coletado é compatível com um ou mais diagnósticos e, em caso positivo, classificar o conjunto sob um rótulo identificador (por exemplo, uma doença, uma gravidez, um spam etc.).

Na psiquiatria, a determinação do que é um sinal (ou sintoma) é uma etapa fundamental na construção dos diagnósticos. Cada critério diagnóstico das classificações psiquiátricas pode ser considerado como um sinal a ser buscado. O processo tradicional de detecção desses sinais envolve uma consulta e a coleta de diversas informações (sinais, sintomas, ou fenômenos, como preferem os psicopatologistas). O conjunto desses sinais e sintomas percebidos pelo médico é então analisado frente a modelos conceituais e, nessa comparação, o médico faz sua inferência classificatória acerca de haver ou não determinada condição, fazendo então seu diagnóstico.

O que conta como sinal também muda historicamente: a fisionomia do paciente, por exemplo, não é mais levada em consideração no diagnóstico da esquizofrenia.

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Referências

1.
Swets, J. A. Measuring the Accuracy of Diagnostic Systems. Science 240, 1285–1293 (1988).