A importância de falar em público

Ansiedade
Clínica
O medo de falar em público é intenso em 34% das pessoas — e custa empregos, notas e oportunidades. Por que enfrentá-lo faz parte da formação médica.
NotaSobre este texto

Texto breve sobre a prevalência e os custos do medo de falar em público e a importância das habilidades de comunicação na medicina. Prepara a atividade de discussão da aula.

Comunicar suas ideias com clareza e apresentá-las abertamente em público é um componente fundamental em vários domínios da vida. Essa habilidade é importante na progressão de sua carreira, na formação de colaborações, na promoção de ideias. Falar em público pode mobilizar as pessoas agirem em questões sociais, pode mobilizar as pessoas a mudarem seus hábitos de vida e cuidarem da saúde. Porém, muitas vezes, o medo nos impede de falar, nos impede de promover o bem e a saúde, o medo pode nos impedir de melhorar nossa comunidade. É, portanto, fundamental superar esse obstáculo. Estudos na comunidade indicam que o medo de falar em público é bastante comum, sendo moderado em 24% e intenso em 34% das pessoas1,2. Tão frequente é esse medo que Richard Branson comentou existirem apenas dois tipos de palestrantes no mundo: “1. Os nervosos e 2. Os mentirosos.”

As pessoas com medo intenso de falar em público (Substantial Public-Speaking Fears - SPSFs) relatam que essa dificuldade atrapalha conseguirem um emprego, causa dificuldades em atividades sociais usuais e prejuízos no desempenho acadêmico1. De fato, parece haver uma tendência de que pessoas com medo intenso de falar em público tenham empregos menos valorizados e abandonem os estudos mais cedo1.

Diversos autores e entidades entendem que habilidades interpessoais e de comunicação devem fazer parte das competências da graduação em medicina35. Essas habilidades são importantes na medicina para criar e manter relacionamentos e vínculos emocionais que sejam terapêuticos para os pacientes e seus familiares; durante a anamnese, essas habilidades facilitam tanto a coleta de informações quanto a discussão com os pacientes acerca de suas dúvidas e questionamentos; e, finalmente, essas são habilidades importantes para trabalhar em equipe, como membro ou como líder3. Habilidades de apresentação são também importantes em conferências e palestras médicas. Infelizmente, ainda encontramos frequentemente aulas monótonas, pouco estimulantes e ineficazes na transmissão do conhecimento6.

Várias escolas médicas começaram a adotar técnicas de teatro de improvisação para ensinar a comunicação com o paciente e habilidades de apresentação de casos, com os alunos refletindo que aprender a improvisar melhora suas habilidades de escuta e observação, bem como a comunicação geral com os pacientes7,8.

De volta ao topo

Referências

1.
Stein, M. B., Walker, J. R. & Forde, D. R. Public-speaking fears in a community sample. Prevalence, impact on functioning, and diagnostic classification. Arch Gen Psychiatry 53, 169–174 (1996).
2.
Pull, C. B. Current status of knowledge on public-speaking anxiety. Curr Opin Psychiatry 25, 32–38 (2012).
3.
Rider, E. A. & Keefer, C. H. Communication skills competencies: definitions and a teaching toolbox. Med Educ 40, 624–629 (2006).
4.
5.
Nie, J., Torabi, S., Peck, C., Niles, H. & Encandela, J. Teaching public speaking to medical students. Clin Teach 17, 606–611 (2020).
6.
Tarkowski, R. Reflections: Improving Medical Students’ Presentation Skills. J Cancer Educ 32, 935–937 (2017).
7.
Hoffman, A., Utley, B. & Ciccarone, D. Improving medical student communication skills through improvisational theatre. Med Educ 42, 537–538 (2008).
8.