Júri simulado: ABA ou DIR?

Autismo
Júri simulado
Dois grupos defendem Alpine (ABA) e Celebrate the Children (DIR) diante de um júri de pais que precisa decidir onde matricular um filho de 3 anos recém-diagnosticado.
NotaFicha da atividade
  • Formato: júri simulado (debate estruturado)
  • Modalidade: turma dividida em dois grupos de defesa e um júri de “pais”
  • Materiais: artigo “A Tale of Two Schools”1 e as leituras de cada lado (abaixo)
  • Duração sugerida: 50 min
  • Pré-requisito: a atividade Em que escola você colocaria seu filho autista?
DicaObjetivos de aprendizagem
  • Construir e sustentar um argumento clínico a partir de evidências de qualidade desigual
  • Distinguir eficácia demonstrada, plausibilidade teórica e preferência de valores na defesa de um tratamento
  • Reconhecer a perspectiva dos pais e a das próprias pessoas autistas na escolha de uma intervenção
  • Exercitar a comunicação de evidências para leigos: convencer um júri de pais, não uma banca de especialistas

Um casal acabou de receber o diagnóstico de autismo do filho de 3 anos, que fala poucas palavras, evita o olhar e se desorganiza com mudanças de rotina. O estado paga a escola, qualquer que seja. Duas escolas disputam a matrícula: a Alpine Learning Group, que aplica a análise do comportamento aplicada (ABA) com um professor por aluno, e a Celebrate the Children, que trabalha com o modelo DIR/Floortime, centrado na relação e no brincar. Cada escola envia seus melhores defensores. Os pais ouvem, perguntam e decidem.

Como funciona

  1. Papéis. A turma se divide em três grupos: a defesa da Alpine (ABA), a defesa da Celebrate the Children (DIR) e o júri, formado por 5 a 7 alunos que fazem o papel dos pais. O júri não é neutro nem especialista: tem as dúvidas, os medos e o orçamento de uma família.
  2. Preparação (em casa). Cada defesa lê o artigo da Time e as leituras do seu lado, e prepara três coisas: o melhor argumento a favor, a resposta antecipada à crítica mais forte do adversário e uma explicação em linguagem leiga do que a criança faria num dia típico na escola. O júri prepara perguntas de pais: “o que meu filho vai fazer das 8h às 15h?”, “em quanto tempo vejo resultado?”, “ele vai ser feliz lá?”, “e se não funcionar?”.
  3. Sessão (em sala).
    • Abertura: 5 min para cada defesa.
    • Evidências: 10 min para cada lado apresentar o que sustenta sua abordagem, com honestidade sobre os limites.
    • Interrogatório: o júri faz perguntas a ambos os lados (10 min).
    • Réplica e tréplica: 3 min para cada lado.
    • Deliberação do júri em voz alta (5 min) e veredito justificado.
  4. Fechamento. O professor retoma o que ficou de fora: o que a evidência realmente permite dizer, e o que é escolha de valores.
NotaRoteiro de argumentos (para começar, não para encerrar)

Defesa da Alpine (ABA). O estudo de Lovaas e seu seguimento2,3; a intervenção comportamental intensiva precoce é a abordagem mais estudada no autismo4; ensino estruturado, metas mensuráveis, um professor por aluno. Esteja pronto para responder: alocação não aleatória e amostra pequena no estudo original5,6; o histórico de aversivos; a crítica de adultos autistas de que a ABA ensina a “parecer normal” à custa do bem-estar (veja Doença ou diversidade?); o custo.

Defesa da Celebrate the Children (DIR). A premissa de que a troca afetiva é a base da aprendizagem7; ensaios clínicos pequenos, mas randomizados, com ganhos em interação social e envolvimento dos pais8,9; respeito ao ritmo e ao interesse da criança; menor custo. Esteja pronto para responder: a base de evidência é fina e os desfechos são menos “duros”; o risco de a criança não adquirir habilidades acadêmicas e de linguagem no mesmo ritmo; a dependência da qualidade do terapeuta e da disponibilidade dos pais.

Questões

  1. Qual escola o seu grupo defende, e qual foi o argumento que mais pesou diante do júri?
  2. Se você estava no júri: que veredito deu, e que pergunta nenhuma das defesas respondeu bem?
  3. Depois do debate, a sua escolha pessoal na atividade anterior mudou? Por quê?
AvisoQuestionário em construção

As questões desta atividade ainda estão em construção.

Materiais de apoio

Leituras sugeridas

Vídeos sugeridos

Atividade derivada de Em que escola você colocaria seu filho autista?, a partir do artigo “A Tale of Two Schools”1. Roteiro de argumentos redigido pelo assistente com base nas referências citadas — revisão do professor recomendada.

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Referências

1.
Wallis, C. & Goehner, A. L. A Tale of Two Schools. Time v. 167 48–51 (2006).
2.
3.
McEachin, J. J., Smith, T. & Lovaas, O. I. Long-term outcome for children with autism who received early intensive behavioral treatment. American Journal on Mental Retardation 97, 359–372 (1993).
4.
Reichow, B., Hume, K., Barton, E. E. & Boyd, B. A. Early intensive behavioral intervention (EIBI) for young children with autism spectrum disorders (ASD). Cochrane Database of Systematic Reviews 2018, CD009260 (2018).
5.
Schopler, E., Short, A. & Mesibov, G. Relation of behavioral treatment to “normal functioning”: Comment on Lovaas. Journal of Consulting and Clinical Psychology 57, 162–164 (1989).
6.
Gresham, F. M. & MacMillan, D. L. Autistic Recovery? An Analysis and Critique of the Empirical Evidence on the Early Intervention Project. Behavioral Disorders 22, 185–201 (1997).
7.
Greenspan, S. I. & Wieder, S. The Developmental Individual-Difference, Relationship-Based (DIR/Floortime) Model Approach to Autism Spectrum Disorders. em Clinical Manual for the Treatment of Autism (org. Hollander, E. & Anagnostou, E.) 179–209 (American Psychiatric Publishing, Arlington, VA, 2007).
8.
9.
Solomon, R., Van Egeren, L. A., Mahoney, G., Quon Huber, M. S. & Zimmerman, P. PLAY Project Home Consultation Intervention Program for Young Children With Autism Spectrum Disorders: A Randomized Controlled Trial. Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics 35, 475–485 (2014).
10.
Lovaas, O. I., Smith, T. & McEachin, J. J. Clarifying comments on the young autism study: Reply to Schopler, Short, and Mesibov. Journal of Consulting and Clinical Psychology 57, 165–167 (1989).