Exercício: transtornos alimentares
Questões sobre anorexia nervosa, bulimia nervosa e outros transtornos alimentares. Para treinar o diagnóstico diferencial em casos longos, faça também o exercício de diagnóstico dos transtornos alimentares.
Como funciona
- Responda às questões abaixo, marcando a alternativa que considerar correta.
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Questões
1. Qual a faixa etária mais comum de início da Anorexia Nervosa?
- 0 a 10 anos
- 10 a 20 anos
- 20 a 30 anos
- 30 a 40 anos
b. A anorexia nervosa começa tipicamente na adolescência, entre os 10 e os 20 anos, com pico entre 14 e 18 anos.
2. Qual a prevalência estimada da Anorexia Nervosa entre mulheres jovens (adolescentes do sexo feminino)?
- 0,5% a 1%
- 1% a 5%
- 05% a 10%
- 10% a 15%
- 15% a 20%
a. Estima-se a prevalência da anorexia nervosa entre 0,5% e 1% das adolescentes e mulheres jovens.
3. Qual a prevalência estimada da Bulimia Nervosa entre mulheres jovens (adolescentes do sexo feminino)?
- 1% a 5%
- 10% a 15%
- 15% a 20%
- 25% a 35%
a. A bulimia nervosa acomete de 1% a 3% das mulheres jovens; é mais comum que a anorexia.
4. Qual das duas condições abaixo é mais frequente em adolescentes jovens do sexo feminino?
- bulimia nervosa
- anorexia nervosa
- ambas são igualmente comuns
a. A bulimia nervosa é mais frequente que a anorexia nervosa entre adolescentes e mulheres jovens.
5. A anorexia nervosa é mais comum em homens ou mulheres?
- homens
- mulheres
- tem prevalência similar nos dois sexos
b. A anorexia nervosa é muito mais comum em mulheres, numa proporção de cerca de 10 para 1, embora os casos em homens sejam provavelmente subdiagnosticados.
6. Uma adolescente de 17 anos é levada ao psiquiatra porque os pais estão cada vez mais alarmados com sua perda de peso. A paciente afirma que os pais estão “se preocupando por nada” e que só veio ao consultório para tranquilizá-los. Diz que se sente bem, embora seu humor esteja um pouco deprimido. Nega ter problemas para dormir ou de apetite, assim como qualquer abuso de drogas ou álcool. Diz que acredita parecer “gorda”, mas que se perdesse mais uns quilos ficaria “muito bem”. Alega que seu único problema é não ter menstruado nos últimos três meses. Não é sexualmente ativa e, portanto, não pode estar grávida. Quando questionados em separado, os pais relatam que a paciente tem perdido peso com regularidade nos últimos oito meses. Dizem que começou a fazer dieta depois que uma das amigas comentou que ela “estava um pouco cheinha”. Na época, ela pesava cerca de 54 kg. A jovem perdeu uns 2 kg e, segundo os pais, se sentiu bem com os comentários feitos pelos amigos. Desde então, tem comido cada vez menos. Agora, usa roupas largas e não conta quanto está pesando. Apesar disso, ajuda a mãe a cozinhar refeições elaboradas para convidados quando a família recebe amigos para jantar. Exercita-se durante todo o dia, e os pais dizem que a escutam fazendo polichinelos e abdominais à noite em seu quarto. Em um exame físico, a paciente revela medir 1,58 m de altura; está pesando 32 kg, e sua aparência é caquética.
- Transtorno alimentar restritivo evitativo
- Transtorno de compulsão alimentar
- Transtorno ruminativo regurgitativo
- Anorexia nervosa
- Bulimia nervosa
- Pica
d. Restrição alimentar com perda de peso importante (32 kg), medo de engordar e percepção distorcida do corpo (“pareço gorda”), com amenorreia, exercício excessivo e ocultação do peso: anorexia nervosa, tipo restritivo. O interesse em cozinhar para os outros é um detalhe clássico do quadro.
7. Qual o índice de massa corporal de uma adolescente de 17 anos medindo 1,58 m de altura e pesando 32 kg.
- 0.05
- 0.2
- 13
- 20
- 26
- 32
- 43
c. IMC = peso ÷ altura². 32 ÷ (1,58 × 1,58) = 32 ÷ 2,50 ≈ 12,8, ou seja, cerca de 13.
8. Qual classificação quanto ao IMC, de uma adolescente de 17 anos medindo 1,58 m de altura e pesando 32 kg.
- Extremamente abaixo do peso (IMC <15)
- gravemente abaixo do peso (IMC entre 15 e 16)
- abaixo do peso (IMC entre 16 e 18,5)
- peso ideal (IMC entre 18,5 e 25)
- sobrepeso (IMC entre 25 a 30)
- Obesidade grau I (IMC entre 30 a 35)
- Obesidade Grau II (IMC entre 35 a 40)
- Obesidade Grau III (IMC acima de 40)
a. IMC ≈ 12,8, abaixo de 15: magreza extrema, que corresponde à gravidade “extrema” da anorexia nervosa no DSM-51. Em adolescentes, o ideal é usar o percentil de IMC para a idade, mas aqui a magreza é inequívoca.
9. Uma adolescente de 16 anos é levada ao médico por sua mãe, a qual afirma que a filha vem perdendo peso de forma constante. A adolescente nega haver problema e declara que de modo algum está abaixo do peso. O médico estabelece que a menina mede 1,70m e pesa 41kg. Qual o IMC (índice de massa corporal) da paciente?
- Extremamente abaixo do peso (IMC <15)
- gravemente abaixo do peso (IMC entre 15 e 16)
- abaixo do peso (IMC entre 16 e 18,5)
- peso ideal (IMC entre 18,5 e 25)
- sobrepeso (IMC entre 25 a 30)
- Obesidade grau I (IMC entre 30 a 35)
- Obesidade Grau II (IMC entre 35 a 40)
- Obesidade Grau III (IMC acima de 40)
a. 41 ÷ (1,70 × 1,70) = 41 ÷ 2,89 ≈ 14,2: abaixo de 15, magreza extrema.
10. Você indicaria internação para a paciente acima?
- sim
- não
a. Com IMC abaixo de 15, a internação deve ser considerada, sobretudo em adolescente que nega a doença. Outros critérios de internação são instabilidade clínica (bradicardia acentuada, hipotensão, distúrbios hidroeletrolíticos), perda de peso rápida, recusa alimentar e risco de suicídio.
11. Uma adolescente de 16 anos é levada ao médico por sua mãe, a qual afirma que a filha vem perdendo peso de forma constante. A adolescente nega haver problema e declara que de modo algum está abaixo do peso. O médico estabelece que a menina mede 1,70m e pesa 41kg. Qual dos seguintes testes laboratoriais é mais útil para avaliar a gravidade da inanição nessa paciente?
- Hemograma completo e contagem diferencial de leucócitos.
- Testes da função da tireoide.
- Nível sérico de potássio.
- Determinação do nível de albumina.
- Testes da função hepática.
d. Entre as opções, a albumina é o marcador que reflete o estado nutricional proteico. Na prática, a albumina pode permanecer normal até fases avançadas da desnutrição, e o potássio é o exame mais útil para detectar purgação e risco de arritmia.
12. Apesar de seus protestos, a adolescente da questão anterior é diagnosticada com anorexia. Depois da estabilização de sua situação nutricional em uma unidade de internação especializada, ela recebe alta, com indicação de terapia de acompanhamento ambulatorial. Qual dos tratamentos a seguir se mostrou eficaz no tratamento ambulatorial de anorexia?
- Terapia familiar
- Antidepressivos
- Antipsicóticos
- Ansiolíticos
a. A terapia baseada na família (modelo Maudsley) é o tratamento ambulatorial com melhor evidência para adolescentes com anorexia nervosa. Os medicamentos não demonstraram eficácia para o núcleo do transtorno.
13. A anorexia nervosa foi diagnosticada em uma menina de 14 anos, e ela foi hospitalizada na unidade psiquiátrica para tratamento. Na admissão, observa-se que ela mede 1,64 m e pesa 37 kg. Na semana seguinte, é pesada diariamente no hospital. Engorda 1,8 kg no primeiro dia, mas depois perde 450 g, de modo que no final da semana está pesando 38,5 kg. Descobre-se que a paciente se exercita a noite inteira e esconde toda a sua comida em guardanapos. O que poderia explicar o ganho de 1,8 kg no início da hospitalização?
- A paciente comeu compulsivamente no primeiro dia, mas não conseguiu purgar antes da primeira pesagem
- Diminuição do metabolismo, resultando em ganho de peso
- Excessiva ingestão de água antes da primeira pesagem
- Motivação inicial para o tratamento
- Erro da balança
c. Pacientes com anorexia frequentemente bebem grandes volumes de água antes de serem pesadas para parecer que ganharam peso. A queda de peso nos dias seguintes, com exercício escondido e comida descartada, confirma a manobra.
14. A taxa de letalidade da Anorexia Nervosa é aproximadamente
- 1% a 5 %
- 5% a 20%
- 20% a 30%
- 30% a 40%
b. A anorexia nervosa tem uma das maiores taxas de mortalidade entre os transtornos mentais, na faixa de 5% a 20% em seguimentos longos, por complicações clínicas e por suicídio.
15. Uma jovem de 19 anos é encaminhada a um psiquiatra pelas colegas de quarto. que ficaram preocupadas com seu comportamento. A paciente conta que, nos últimos dois anos, desde que entrou na faculdade, tem provocado vômitos enfiando os dedos na garganta. Esse comportamento ocorre com regularidade, 3 a 4 vezes por semana, e piora quando está estressada na aula. Diz que regularmente ingere uma grande quantidade de comida e acha que vai engordar se não vomitar. Descreve esses episódios como “comer tudo o que vê pela frente” em grandes quantidades e menciona uma ocasião em que pediu três pizzas grandes e as comeu sozinha. Afirma que se sente fora de controle quando está comendo dessa maneira, mas que não consegue parar. Tem vergonha desse comportamento e se esforça ao máximo para esconder o quanto come. Ela indica que sua autoestima parece depender muito de seu peso e de se ela se acha gorda. Concordou em conversar com um psiquiatra depois que as colegas descobriram seus vômitos autoinduzidos.
- Transtorno alimentar restritivo evitativo
- Transtorno de compulsão alimentar
- Transtorno ruminativo regurgitativo
- Anorexia nervosa
- Bulimia nervosa
- Pica
e. Compulsões alimentares recorrentes com sensação de perda de controle, seguidas de vômitos autoinduzidos várias vezes por semana, com autoestima dependente do peso e sem baixo peso: bulimia nervosa.
16. Uma mulher de 34 anos apresenta uma história de 10 anos de episódios em que come grandes quantidades de alimento, como oito hambúrgueres e três litros de sorvete, de uma vez. Devido a intensos sentimentos de culpa, depois induz vômitos de forma repetida. Esse ciclo acontece várias vezes por semana. Está muito envergonhada de seu comportamento, mas diz: “Não consigo parar”. Em um exame, qual a constatação física que provavelmente será observada?
- Cáries dentárias
- Lanugo
- Debilidade muscular
- Obesidade
- Peso corporal inferior ao 10º percentil normal.
a. Os vômitos repetidos expõem os dentes ao ácido gástrico, causando erosão do esmalte e cáries. Outros sinais são hipertrofia das parótidas e calosidades no dorso da mão (sinal de Russell). Lanugo e peso muito baixo são da anorexia.
17. Qual das seguintes anormalidades laboratoriais tem maior probabilidade de ser encontrada na paciente da questão anterior?
- Hipermagnesemia
- Hipoamilasemia
- Alcalose hipoclorêmica-hipocalêmica
- Índices elevados da tireoide
- Hipercolesterolemia
c. Os vômitos causam perda de ácido clorídrico e de potássio: alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. A hipocalemia é a alteração mais perigosa, pelo risco de arritmias.
18. Qual das opções de tratamentos a seguir seria CONTRA INDICADA entre aquelas recomendadas para a paciente da questão acima?
- Reabilitação nutricional
- Psicoterapia cognitivo-comportamental
- Uso criterioso de ISRS
- Psicoterapia de grupo
- Medicamentos antipsicóticos atípicos para aumentar seu apetite
e. Na bulimia, os antipsicóticos não estão indicados, e usá-los para aumentar o apetite não faz sentido num quadro de compulsão alimentar. Reabilitação nutricional, TCC, psicoterapia de grupo e ISRS (a fluoxetina tem melhor evidência) são recomendados.
19. De que modo a bulimia nervosa se distingue de anorexia nervosa?
- Pacientes com bulimia podem não apresentar sintomas até o início da vida adulta, enquanto a anorexia normalmente começa no início da adolescência.
- Pacientes com bulimia têm menor probabilidade de abusar de álcool e menor labilidade emocional que indivíduos com anorexia.
- Pacientes bulímicas tendem a apresentar sobrepeso, enquanto as anoréxicas estão abaixo do peso.
- Pacientes com bulimia têm maior resistência a receber ajuda e com frequência precisam ser forçadas a consultar um terapeuta.
a. A bulimia costuma começar um pouco mais tarde, no fim da adolescência ou início da vida adulta, enquanto a anorexia começa mais cedo. As demais estão invertidas: quem tem bulimia abusa mais de álcool, tem mais labilidade, costuma ter peso normal e procura ajuda com mais facilidade.
20. Qual o percentual médio de pacientes que conseguem reduzir os episódios de compulsão alimentar com o uso de medicamentos:
- 1%
- 20%
- 80%
- 90%
—. Questão sem resposta definida nesta versão: a evidência varia muito conforme o remédio e o desfecho (redução ou interrupção das compulsões). Com antidepressivos e com lisdexanfetamina, a maioria dos pacientes reduz a frequência das compulsões, mas só uma minoria as interrompe por completo. Esta questão não entra na nota.
Respostas comentadas redigidas com apoio de IA a partir da literatura de referência — revisão do professor recomendada.
Materiais de apoio
Leituras sugeridas
Questões do curso de Psiquiatria da UFSJ; parte dos casos clínicos foi adaptada de bancos de questões de estudo de psiquiatria.