Diagnóstico dos transtornos alimentares: oito casos

Alimentares
Questionário
Anorexia, bulimia, compulsão alimentar, pica, ruminação, TARE e ortorexia: leia oito casos detalhados e indique o diagnóstico de cada um.
NotaFicha da atividade
  • Formato: oito casos clínicos longos, cada um com uma questão de diagnóstico e correção imediata
  • Modalidade: individual ou em duplas
  • Materiais: celular ou computador
DicaObjetivos de aprendizagem
  • Aplicar os critérios diagnósticos dos transtornos alimentares a casos detalhados
  • Diferenciar anorexia nervosa de anorexia atípica, e bulimia de transtorno de compulsão alimentar
  • Reconhecer os transtornos alimentares da infância e do neurodesenvolvimento: pica, ruminação e TARE
  • Discutir o estatuto da ortorexia, que não é diagnóstico oficial

Os casos abaixo são fictícios. Todos têm as mesmas oito alternativas: anorexia nervosa, anorexia atípica, ortorexia, transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE), transtorno de compulsão alimentar, bulimia nervosa, pica e transtorno de ruminação. Nem todas são usadas, e o objetivo é justamente perceber o que separa quadros parecidos. Para a parte de epidemiologia e tratamento, veja o exercício de transtornos alimentares.

Como funciona

  1. Responda às questões abaixo, marcando a alternativa que considerar correta para cada caso.
  2. Clique em Corrigir no fim da página: você vê sua nota, cada questão é marcada como certa ou errada e a resposta comentada se abre logo abaixo dela.
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Questões

1. Marina Cardoso Silva, 25 anos

Marina era a filha mais nova de uma família de classe média paulistana. Apresentava características de personalidade obsessiva desde a infância, com desempenho acadêmico superior e tendência ao perfeccionismo. Aos quinze anos iniciou carreira musical junto ao irmão mais velho, obtendo relativo sucesso comercial aos dezoito anos.

O quadro iniciou-se aos vinte e um anos, após comentário de um jornalista sobre seu peso em entrevista publicada. Marina pesava 62 quilos para 1,65 metros de altura, correspondente ao IMC de 22,8, dentro dos parâmetros de normalidade. Iniciou restrição alimentar gradual, eliminando primeiro alimentos calóricos, posteriormente carboidratos e proteínas de origem animal.

Desenvolveu rituais alimentares progressivamente mais rígidos. Fracionava os alimentos em porções mínimas, contava mastigações, pesava todos os itens consumidos e registrava calorias em cadernos. O padrão alimentar tornou-se monotrópico, restrito a vegetais e ocasionalmente torradas sem acompanhamento. Concomitantemente, aumentou atividade física para dez quilômetros de corrida diária acrescidos de duas horas de exercícios aeróbicos.

Em seis meses apresentou perda de dez quilogramas. A família interpretou inicialmente como comportamento saudável. A paciente prosseguiu com restrição progressiva, atingindo 45 quilogramas em dezoito meses. Neste período desenvolveu amenorreia secundária, hipotermia, xerodermia, alopecia e lanugo em face e dorso. A frequência cardíaca basal reduziu para 45 batimentos por minuto e pressão arterial sistólica para 90 milímetros de mercúrio. Apresentava ortostase frequente.

Marina mantinha distorção persistente da imagem corporal. Ao examinar-se, relatava percepção de excesso de tecido adiposo em abdome e coxas, incompatível com seu estado de emaciação. Resistia ativamente a intervenções familiares, interpretando preocupações alheias como interferência ou inveja. Intensificou exercícios para quinze quilômetros diários mesmo com deterioração física evidente.

Aos 38 quilogramas apresentou síncope durante atividade profissional. Na admissão hospitalar foram documentados: hipocalemia de 2,1 mEq/L, anemia normocítica, alterações eletrocardiográficas com prolongamento do intervalo QT e sinais laboratoriais de desnutrição proteico-calórica grave. Exames densitométricos revelaram osteopenia precoce.

Durante internação hospitalar, a paciente manteve comportamentos de ocultação alimentar, descarte de suplementos e exercício físico às escondidas. Demonstrava ansiedade extrema relacionada ao ganho ponderal, negociando cada componente alimentar oferecido. Após seis semanas recebeu alta com 42 quilogramas, condicionada a seguimento ambulatorial multidisciplinar rigoroso.

No domicílio, Marina desenvolveu estratégias elaboradas de dissimulação. Ocultava alimentos, mentia sobre consumo, adicionava pesos às vestimentas durante consultas de controle. O seguimento ambulatorial foi irregular. Três meses após a alta hospitalar, foi encontrada morta em seu domicílio durante a madrugada.

O exame necroscópico determinou morte por insuficiência cardíaca aguda secundária a arritmia ventricular em contexto de desequilíbrio hidroeletrolítico e cardiomiopatia nutricional. O peso no momento do óbito era de 36 quilogramas. Documentação pessoal encontrada posteriormente revelava registro obsessivo de ingestão calórica, com consumo médio inferior a 400 calorias diárias nas semanas que precederam o óbito. A paciente tinha vinte e cinco anos de idade.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

a. Restrição intensa com IMC de cerca de 14 (38 kg; 36 kg no óbito), medo de engordar, distorção da imagem corporal, exercício compulsivo, amenorreia, lanugo, bradicardia e hipocalemia. É anorexia nervosa grave, e o desfecho ilustra por que ela tem uma das maiores mortalidades da psiquiatria.

2. Rafael Mendes Costa, 24 anos

Rafael cursava o quarto ano de graduação em Nutrição em uma universidade federal do Rio de Janeiro. Filho de professores, sempre demonstrou interesse por alimentação e saúde, motivado por histórico familiar de diabetes e obesidade. Durante a adolescência apresentava sobrepeso, com peso máximo de 95 quilogramas aos dezessete anos para 1,78 metros de altura.

Aos dezoito anos, ao ingressar na faculdade, iniciou dieta hipocalórica sob orientação de nutricionista. Perdeu 20 quilogramas em oito meses, atingindo 75 quilogramas. Recebeu elogios de familiares, colegas e professores. Desenvolveu interesse crescente por nutrição esportiva e passou a frequentar academia regularmente.

O primeiro episódio de compulsão alimentar ocorreu durante o segundo ano da faculdade, em período de provas finais. Após jejuar durante o dia para “compensar” o almoço considerado excessivo, Rafael consumiu rapidamente e de forma descontrolada dois pacotes de biscoitos, uma pizza grande, um pote de sorvete e refrigerantes em aproximadamente uma hora. Relatou sensação de perda de controle durante o episódio e culpa intensa posteriormente.

Preocupado com o ganho de peso decorrente, induziu vômito pela primeira vez. Descreveu alívio imediato da sensação de desconforto abdominal e da ansiedade relacionada às calorias consumidas. O comportamento tornou-se recorrente.

Ao longo dos meses subsequentes, estabeleceu-se padrão de restrição alimentar diurna seguida de episódios compulsivos noturnos, ocorrendo inicialmente uma a duas vezes por semana, posteriormente aumentando para episódios diários. Rafael desenvolvia episódios principalmente ao retornar da faculdade ou após períodos prolongados de restrição. Durante as compulsões, consumia preferencialmente alimentos calóricos e de fácil ingestão: massas, pães, doces, embutidos. Ingeria volumes que estimava entre 3000 a 5000 calorias por episódio.

Após cada compulsão, dirigia-se ao banheiro e provocava vômito, inicialmente utilizando estímulo digital da orofaringe. Com o tempo, desenvolveu capacidade de vomitar voluntariamente por contração abdominal. Os episódios de purgação duravam aproximadamente trinta minutos, com múltiplas tentativas até certificar-se de ter eliminado todo o conteúdo gástrico.

Rafael mantinha peso entre 73 e 77 quilogramas, o que interpretava como evidência de que seu comportamento era “eficaz”. Não percebia estar doente. Considerava os vômitos uma “estratégia de controle de peso” e racionalizava o comportamento com argumentos pseudocientíficos baseados em seus conhecimentos acadêmicos.

Os episódios ocorriam em absoluto sigilo. Vivia sozinho, o que facilitava a manutenção do segredo. Fazia compras em diferentes estabelecimentos para evitar constrangimento com quantidade de alimentos adquiridos. Armazenava alimentos específicos para as compulsões, separados dos mantimentos regulares.

Desenvolveu alterações físicas progressivas. Apresentou hipertrofia bilateral de glândulas parótidas, conferindo aspecto arredondado à face. O esmalte dentário começou a erodir, com aumento de sensibilidade dental e múltiplas cáries em seis meses. As mãos apresentavam calosidades no dorso, particularmente nas articulações metacarpofalangeanas direita, resultado do trauma repetido contra os dentes durante indução de vômitos, sinal conhecido como sinal de Russell.

Exames laboratoriais, realizados em check-up de rotina, revelaram hipocalemia leve (3,3 mEq/L) e alcalose metabólica hipoclorêmica. Rafael, familiarizado com interpretação de exames devido à formação, reconheceu os achados como compatíveis com vômitos recorrentes, mas não procurou tratamento.

Apresentava preocupação excessiva com peso e forma corporal. Pesava-se múltiplas vezes ao dia, evitava exposição do corpo em situações sociais, recusava convites para praias ou piscinas. Apesar do conhecimento técnico sobre nutrição e consequências do comportamento purgativo, mostrava-se incapaz de interromper o ciclo.

O quadro foi identificado quando um colega de faculdade encontrou-o saindo do banheiro após episódio de vômito. Rafael apresentava hiperemia conjuntival, petéquias faciais e odor característico. Confrontado, inicialmente negou, mas posteriormente admitiu o comportamento quando o colega, também graduando em nutrição, reconheceu os sinais clínicos.

Foi encaminhado ao serviço de psiquiatria da universidade. Na primeira consulta, relatou que os episódios ocorriam diariamente há dois anos, com frequência de um a três episódios por dia. Demonstrava ambivalência quanto ao tratamento, reconhecendo as consequências médicas mas temendo ganho de peso caso interrompesse os vômitos. Negava uso de laxantes ou diuréticos, mas admitiu jejuns compensatórios frequentes.

Rafael mantinha funcionamento acadêmico preservado, com bom desempenho nas disciplinas. A vida social encontrava-se comprometida, com isolamento progressivo para ocultar os comportamentos. Evitava refeições coletivas e cancelava compromissos quando sentia urgência de realizar compulsão alimentar. Apresentava sintomas depressivos secundários, incluindo humor rebaixado, anedonia e sentimentos de inadequação.

Durante avaliação psiquiátrica mais detalhada, foi questionado sobre métodos compensatórios adicionais. Rafael então revelou que nos últimos seis meses havia começado a utilizar laxantes ocasionalmente, quando sentia que não havia conseguido eliminar completamente o alimento através dos vômitos. Iniciou com doses terapêuticas mas progressivamente aumentou para oito a dez comprimidos por vez, desenvolvendo dependência intestinal com constipação nos períodos sem uso.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

f. Compulsões alimentares recorrentes com perda de controle, seguidas de vômitos e, depois, de laxantes, com peso normal e autoavaliação dependente do peso. É bulimia nervosa, com os sinais físicos clássicos: hipertrofia de parótidas, erosão dentária, sinal de Russell e alcalose hipoclorêmica com hipocalemia.

3. Sebastião Ferreira dos Santos, 45 anos

Sebastião trabalha como caminhoneiro há vinte e três anos, transportando cargas em rotas longas. Casado, pai de três filhos, apresenta histórico de sobrepeso desde a adolescência. Aos vinte anos pesava 95 quilogramas para 1,75 metros. Atualmente pesa 158 quilogramas, IMC de 51,6.

Os episódios de compulsão alimentar iniciaram há dez anos, durante período de dificuldades financeiras. Ocorrem predominantemente durante viagens, quando estaciona para descanso noturno. Adquire múltiplos lanches, pacotes de salgadinhos, refrigerantes e doces, consumindo tudo em uma a duas horas na cabine do caminhão. Relata sensação de perda de controle, come rapidamente até desconforto abdominal intenso, seguido de culpa e vergonha acentuadas.

A frequência é de três a cinco episódios semanais. Identifica como gatilhos: estresse de prazos, solidão nas viagens, conflitos familiares e tentativas de restrição alimentar diurna. Desenvolveu padrão de jejum durante o dia seguido de compulsão noturna. Não apresenta comportamentos compensatórios, sem vômitos, laxantes ou exercícios. O ganho ponderal é progressivo e sustentado.

Apresenta diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado há cinco anos, com hemoglobina glicada de 9,2% indicando controle inadequado. Hipertensão arterial sistêmica com pressão em 160/100 mmHg apesar de medicação. Perfil lipídico alterado com triglicerídeos de 310 mg/dL. Transaminases elevadas sugerindo esteatose hepática. Dispneia aos esforços e roncos noturnos intensos.

A esposa observa que ele evita comer em família, preferindo alimentar-se sozinho tarde da noite. Encontra embalagens escondidas no caminhão. Sebastião expressa vergonha do corpo, evita situações sociais e apresenta humor deprimido crônico. Realizou múltiplas tentativas de emagrecimento sem sucesso, atribuindo fracasso a falta de força de vontade.

Procurou atendimento após dor precordial durante viagem. Exames cardiológicos descartaram infarto. Foi quando pela primeira vez descreveu os episódios compulsivos a um profissional e recebeu encaminhamento psiquiátrico.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

e. Compulsões alimentares semanais, com perda de controle, culpa e vergonha, comer escondido, sem comportamentos compensatórios, e obesidade grave com complicações metabólicas. É transtorno de compulsão alimentar.

4. Conceição Aparecida Silva, 32 anos

Conceição reside em área rural de Januária, norte de Minas Gerais. Trabalha como agricultora familiar, casada, dois filhos. Cursou até a quinta série. Encontra-se na vigésima oitava semana de gestação.

O comportamento iniciou na décima segunda semana gestacional. Conceição desenvolveu urgência intensa e recorrente de consumir reboco da parede. Inicialmente resistiu, considerando absurdo. Após duas semanas de desejo persistente, começou a raspar e ingerir pequenas porções do reboco da cozinha quando estava sozinha.

O consumo tornou-se diário, aproximadamente três a quatro colheres de sopa. Desenvolve preferência por reboco úmido, de áreas próximas ao tanque e pia. Descreve o sabor como agradável, com textura que acalma. Relata sensação de satisfação e alívio da ansiedade após consumir.

O marido notou buracos nas paredes e confrontou Conceição, irritado com o estrago na casa recém-reformada. Ela inicialmente negou, mas ele a flagrou raspando a parede do quarto. Discussões se intensificaram. Conceição então passou a consumir reboco escondido, atrás de móveis onde os danos não fossem visíveis. Raspa sistematicamente a parede atrás do guarda-roupa, da geladeira e do sofá.

Apresentou comportamento semelhante durante segunda gestação há cinco anos, cessando espontaneamente após o parto. Não ocorreu na primeira gestação. Exames pré-natais recentes mostram hemoglobina de 8,2 g/dL e ferritina de 12 ng/mL, caracterizando anemia ferropriva. Foi prescrito sulfato ferroso mas não toma regularmente por náuseas.

A agente comunitária de saúde observou durante visita domiciliar que várias paredes apresentavam áreas descascadas atrás dos móveis. Após questionamento cuidadoso, Conceição confidenciou o comportamento, relatando vergonha e incapacidade de resistir ao impulso.

Exame físico revela palidez cutaneomucosa acentuada e desgaste dentário em incisivos. Parasitológico de fezes identificou Ascaris lumbricoides. Ultrassonografia obstétrica sem alterações. Foi orientada sobre riscos incluindo intoxicação por metais pesados, obstrução intestinal e parasitoses, além do conflito conjugal crescente relacionado aos danos materiais.

Conceição demonstra insight limitado, questionando se realmente pode prejudicar o bebê, já que na gestação anterior “não aconteceu nada”. Expressa mais preocupação com a raiva do marido do que com as consequências médicas.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

g. Ingestão persistente de substância não alimentar (reboco de parede), com anemia ferropriva e recorrência na gestação. É pica. Na gravidez, o diagnóstico só se aplica quando o comportamento é grave o bastante para exigir atenção clínica, como aqui, com riscos de intoxicação, obstrução e parasitose.

5. Lucas Henrique Tavares, 19 anos

Lucas cursa primeiro ano de Engenharia da Computação em universidade pública de Belo Horizonte. Filho único, reside em república estudantil. Possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista nível 1 desde os oito anos, com inteligência preservada e linguagem funcional. Apresenta dificuldades em interação social e padrões comportamentais repetitivos.

O comportamento de regurgitação iniciou aos quatorze anos, durante período de transição para o ensino médio. Lucas descreve que após as refeições, traz voluntariamente o alimento de volta à boca através de contrações abdominais e esofágicas. O alimento retorna sem náusea, sem esforço significativo e sem o caráter desagradável do vômito. Uma vez na boca, mastiga novamente o conteúdo por vários minutos antes de reengolir.

O comportamento ocorre principalmente após refeições principais, em intervalo de quinze a trinta minutos após alimentar-se. Lucas realiza o processo discretamente, mantendo a boca fechada durante a remastigação. Consegue controlar o momento da regurgitação, evitando situações sociais. Em ambiente privado, como seu quarto, o comportamento pode durar até uma hora após cada refeição.

Lucas relata que a remastigação proporciona sensação de conforto e calma. Descreve textura e sabor como agradáveis durante o processo. Compara a sensação a outros comportamentos autorregulatórios que desenvolve quando ansioso. Não considera o comportamento problemático, mas sim “relaxante”.

Os colegas de república notaram que Lucas demora excessivamente no quarto após as refeições. Em uma ocasião, um colega entrou no quarto sem avisar e observou Lucas com expressão de mastigação sem alimento visível no prato. Quando questionado, Lucas desconversou. O comportamento foi parcialmente identificado quando Lucas acidentalmente regurgitou em situação social durante jantar em restaurante, causando constrangimento.

Não apresenta perda de peso. Mantém-se estável em 68 quilogramas para 1,74 metros de altura. Não demonstra preocupação com forma corporal ou peso. A alimentação é seletiva, característica comum em seu perfil, com preferência por texturas específicas e aversão a alimentos misturados, mas consegue manter nutrição adequada.

Exame físico não revela erosão dentária significativa, diferentemente do que ocorre em casos de vômitos ácidos recorrentes. Não apresenta calosidades nas mãos. Mucosa oral preservada. Exames laboratoriais dentro de parâmetros normais, incluindo eletrólitos e função renal.

Lucas apresenta história de comportamentos repetitivos desde a infância, incluindo balançar o corpo, estalar os dedos e organizar objetos em padrões específicos. A regurgitação inseriu-se nesse repertório comportamental como mais um mecanismo autorregulatório. Relata que o comportamento aumenta em períodos de maior estresse acadêmico ou sobrecarga sensorial.

A mãe, ao ser contatada pela universidade após Lucas mencionar o comportamento ao serviço de apoio psicopedagógico, relatou ter observado movimentos de mastigação sem alimento desde a adolescência, mas não compreendia o que estava ocorrendo. Acreditava que ele estivesse mascando chicletes constantemente.

Lucas foi avaliado por gastroenterologista, que descartou causas orgânicas. Endoscopia digestiva alta revelou mucosa esofágica e gástrica normais, sem sinais de refluxo ou outras alterações estruturais. Phmetria esofágica de 24 horas mostrou padrão normal de acidez, descartando doença do refluxo gastroesofágico como causa subjacente.

Na avaliação psiquiátrica, Lucas demonstra discurso lógico e organizado. Explica detalhadamente o processo de regurgitação, sem constrangimento particular. Não identifica o comportamento como patológico até ser informado das potenciais complicações. Questiona necessidade de tratamento já que não sente desconforto e mantém peso estável.

Foi esclarecido sobre riscos de esofagite, alterações dentárias a longo prazo, desnutrição potencial e impacto social. Lucas demonstra ambivalência quanto ao tratamento, pois o comportamento desempenha função de regulação emocional em seu funcionamento diário. Aceita tentar modificação comportamental principalmente devido à preocupação materna e dificuldades de convívio na república.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

h. Regurgitação voluntária e repetida, sem náusea, com remastigação e nova deglutição, sem causa gastrointestinal (endoscopia e pHmetria normais), em jovem com TEA, para quem o comportamento é autorregulatório. É transtorno de ruminação.

6. Beatriz Oliveira Campos, 9 anos

Beatriz reside com os pais e irmão mais velho em Curitiba. Cursa o quarto ano do ensino fundamental com desempenho acadêmico adequado. Nasceu de parto normal a termo, sem intercorrências perinatais. Desenvolvimento neuropsicomotor dentro dos parâmetros esperados.

A seletividade alimentar iniciou aos dois anos de idade, durante introdução de alimentos sólidos com texturas variadas. Beatriz começou a recusar progressivamente diferentes categorias de alimentos. Atualmente aceita repertório extremamente limitado: arroz branco, batata frita, pão de forma sem casca, macarrão sem molho, frango empanado industrializado específico de uma marca, biscoitos de maisena e iogurte de morango.

Recusa qualquer alimento com textura mista, úmida ou granulosa. Não aceita frutas, vegetais, carnes não processadas, feijão, ovos ou laticínios exceto o iogurte específico. Rejeita alimentos que se tocam no prato. Se um alimento aceito encosta em algo não aceito, recusa ambos. Não experimenta novos alimentos. Tentativas de introdução resultam em náusea, vômito ou crise de choro.

Os pais relatam que refeições familiares tornaram-se fonte de conflito constante. Beatriz é preparada separadamente enquanto família consome outra alimentação. Recusa participar de aniversários, festas escolares ou restaurantes devido à impossibilidade de controlar o cardápio. Em viagem para praia durante férias, passou três dias consumindo apenas biscoitos porque o hotel não dispunha dos alimentos que aceita.

Beatriz apresenta peso de 23 quilogramas para 1,32 metros de altura, correspondente ao percentil 3 para idade, caracterizando baixo peso. Crescimento estatural também comprometido, com estatura no percentil 10. Nos últimos dois anos, ganho ponderal foi de apenas 2 quilogramas. A pediatra expressou preocupação com desaceleração do crescimento.

Exames laboratoriais revelam anemia ferropriva leve, com hemoglobina de 10,8 g/dL. Vitamina D em nível insuficiente: 18 ng/mL. Zinco sérico no limite inferior da normalidade. Demais parâmetros dentro da faixa de referência. Avaliação nutricional calculou ingestão calórica média de 1100 calorias diárias, abaixo das necessidades para idade.

Beatriz não demonstra preocupação com peso ou forma corporal. Não faz comentários sobre estar gorda ou querer emagrecer. Não se olha criticamente no espelho. A recusa alimentar não está relacionada a imagem corporal distorcida. Quando questionada sobre por que não come determinados alimentos, descreve: “é nojento”, “a textura é ruim na boca”, “parece que vou vomitar”, “não consigo engolir”.

Durante avaliação psicológica, Beatriz demonstrou ansiedade significativa ao ser apresentada a alimentos novos. Ao aproximar garfo com pedaço pequeno de banana, apresentou náusea antecipatória, palidez e recusa veemente. Não foi possível completar tentativa de exposição graduada devido à intensidade da reação.

A história clínica não revela evento traumático específico relacionado a alimentação. Não houve episódio de engasgo ou vômito significativo. Beatriz não apresenta outros transtornos de ansiedade diagnosticados. Funcionamento social preservado fora do contexto alimentar. Tem amigos na escola, participa de atividades recreativas, demonstra desenvolvimento emocional adequado.

Os pais tentaram diversas estratégias sem sucesso. Recompensas, punições, ameaças, negociações, disfarçar alimentos, forçar experimentação, deixar passar fome para “ver se come”. Todas resultaram em piora do comportamento e aumento da ansiedade. A mãe relata culpa intensa, questionando onde errou na educação alimentar da filha.

O impacto funcional é significativo. Beatriz não consegue dormir na casa de amigos ou primos porque não há garantia dos alimentos que aceita. Recusa convites para festas. A família planeja viagens considerando disponibilidade dos alimentos específicos. O irmão mais velho demonstra ressentimento por limitações impostas às atividades familiares.

Na escola, Beatriz leva marmita diária com arroz branco e frango empanado. Senta-se isolada durante refeições para evitar comentários dos colegas. Já sofreu bullying relacionado à alimentação restrita. Professores relatam que ela evita projetos escolares que envolvam culinária ou degustação de alimentos.

Beatriz foi encaminhada para tratamento multidisciplinar incluindo nutricionista especializada, psicólogo com experiência em terapia cognitivo-comportamental para seletividade alimentar e acompanhamento pediátrico. A proposta inclui exposição graduada a novos alimentos, dessensibilização de texturas e abordagem familiar para reduzir conflitos nas refeições.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

d. Seletividade alimentar extrema desde os 2 anos, por textura e sensação de nojo, com baixo peso, desaceleração do crescimento, carências nutricionais e prejuízo social, sem preocupação com peso ou forma corporal. É transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE).

7. Júlia Andrade Marques, 28 anos

Júlia trabalha como personal trainer em academia de alto padrão em São Paulo. Formada em Educação Física, possui certificações em treinamento funcional e nutrição esportiva. Solteira, reside sozinha em apartamento alugado.

Apresenta histórico de obesidade desde a infância. Aos quinze anos pesava 98 quilogramas para 1,63 metros de altura. Sofreu bullying intenso durante adolescência. Aos dezenove anos, pesava 115 quilogramas, IMC de 43,3. Desenvolveu síndrome metabólica com pré-diabetes e hipertensão arterial.

Aos vinte anos, após reprovação em concurso público por não alcançar desempenho mínimo no teste físico, decidiu emagrecer. Iniciou dieta hipocalórica supervisionada e treinamento de musculação. Em dezoito meses perdeu 45 quilogramas, atingindo 70 quilogramas. O sucesso motivou mudança de carreira para educação física.

Continuou emagrecimento. Aos vinte e três anos pesava 58 quilogramas, IMC de 21,8. Tornou-se personal trainer, utilizando própria transformação como marketing profissional. Publicava fotos de “antes e depois” em redes sociais. Ganhou seguidores e clientes. A identidade passou a centrar-se na história de superação da obesidade.

Aos vinte e cinco anos, o comportamento alimentar intensificou características restritivas. Júlia estabeleceu limite de 1200 calorias diárias apesar de exercitar-se quatro horas por dia. Eliminou carboidratos quase completamente. Alimentação consistia em claras de ovos, peito de frango grelhado, vegetais e shakes proteicos. Pesava cada alimento, registrava em aplicativo, recusava qualquer desvio do planejado.

Desenvolveu rituais rígidos. Refeições em horários fixos, alimentos específicos em dias específicos. Recusava convites sociais envolvendo alimentação. Evitava restaurantes por impossibilidade de controlar preparo dos alimentos. Relacionamentos pessoais deterioraram-se progressivamente.

O peso continuou caindo: 55, 52, 48 quilogramas. Aos vinte e sete anos pesava 46 quilogramas, IMC de 17,3. Apesar disso, mantinha discurso de “vida saudável” e “controle alimentar”. Clientes e seguidores elogiavam disciplina e definição muscular. Júlia interpretava preocupações ocasionais como inveja.

Desenvolveu amenorreia há dois anos. Inicialmente não valorizou, considerando consequência do baixo percentual de gordura corporal, o que julgava desejável. Apresenta fadiga crônica, queda capilar acentuada, pele seca e unhas quebradiças. Fraturas de estresse em metatarso durante corrida. Densitometria óssea revelou osteopenia em mulher de 28 anos.

Júlia mantém medo intenso de recuperar peso perdido. Verbaliza terror de “voltar a ser gorda”. Pesa-se múltiplas vezes ao dia. Flutuação de 200 gramas causa ansiedade significativa. Aumenta exercício ou reduz alimentação em resposta a qualquer elevação ponderal.

Percepção corporal permanece distorcida apesar do baixo peso. Identifica áreas que considera “gordas” ou “flácidas”, particularmente abdome e coxas, incompatíveis com observação objetiva. Belisca repetidamente essas regiões. Usa roupas largas fora do ambiente de trabalho. Nas redes sociais, seleciona ângulos e iluminação específicos para fotos.

Exames laboratoriais mostram anemia leve, leucopenia discreta, hipoglicemia de jejum, hipotireoidismo subclínico. Eletrocardiograma revela bradicardia sinusal de 48 batimentos por minuto. Cortisol elevado, consistente com estado de privação nutricional crônica.

A procura por tratamento ocorreu após síncope durante sessão de treinamento com cliente. Foi levada ao pronto-socorro onde equipe médica identificou peso crítico e sinais de desnutrição. Júlia inicialmente recusou internação, argumentando que conhecia nutrição melhor que médicos e que estava apenas “seca” para competição fitness que planejava.

Familiar foi contatado. A mãe compareceu ao hospital, relatando preocupação crescente nos últimos anos. Júlia havia se distanciado da família, recusando participar de reuniões familiares para não “cair em tentação” com alimentos. A mãe notou que a filha usava roupas progressivamente maiores e evitava discussões sobre alimentação.

Durante avaliação psiquiátrica, Júlia demonstrou ambivalência. Reconhecia estar “um pouco magra” mas argumentava que peso atual era necessário para manter carreira. Expressava que voltar a peso normal significaria fracasso pessoal e profissional. Temia perder clientes e credibilidade se ganhasse peso. Verbalizou pensamentos recorrentes sobre comida, calorias e peso durante maior parte do dia.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

a. Restrição, medo intenso de engordar, distorção da imagem corporal, amenorreia e osteopenia, com IMC de 17,3, abaixo do normal. É anorexia nervosa, não anorexia atípica: o diagnóstico de “atípica” é reservado a quem preenche os demais critérios, mas mantém o peso dentro ou acima da faixa normal apesar de grande perda.

8. Amanda Cristina Ferreira, 31 anos

Amanda trabalha como influenciadora digital com foco em alimentação saudável e estilo de vida fitness. Formada em Marketing, possui 280 mil seguidores em redes sociais. Solteira, reside em São Paulo capital.

O interesse por alimentação saudável iniciou aos vinte e cinco anos, após diagnóstico de síndrome do intestino irritável. Médico recomendou ajustes dietéticos moderados. Amanda começou a pesquisar extensivamente sobre nutrição, lendo blogs, artigos científicos e acompanhando influenciadores do nicho wellness.

Inicialmente eliminou glúten e lactose conforme orientação médica. Apresentou melhora sintomática. Interpretou resultado como validação para eliminar outras categorias alimentares. Progressivamente excluiu açúcar refinado, depois qualquer tipo de açúcar incluindo frutas com alto índice glicêmico, alimentos processados, conservantes, corantes e sódio adicionado.

Amanda desenvolve regras alimentares cada vez mais rígidas. Consome apenas alimentos orgânicos certificados. Recusa produtos em embalagens plásticas por receio de contaminação por microplásticos. Prepara todas as refeições em casa utilizando panelas de vidro ou cerâmica, recusando alumínio e teflon. Água deve ser filtrada em sistema específico de osmose reversa.

A alimentação atual consiste em vegetais orgânicos crus ou cozidos no vapor, grãos integrais germinados, oleaginosas ativadas e proteínas vegetais específicas. Eliminou totalmente proteína animal há dois anos. Cada alimento passa por processo de seleção rigoroso. Verifica procedência, métodos de cultivo, presença de agrotóxicos e pegada de carbono.

Amanda dedica aproximadamente quatro a cinco horas diárias planejando, comprando e preparando alimentação. Frequenta três feiras orgânicas diferentes para garantir fornecedores confiáveis. Mantém planilhas detalhadas sobre origem de cada alimento. Recusa-se a comer qualquer coisa cuja procedência não possa confirmar completamente.

O comportamento expandiu-se para suplementação extensiva. Consome diariamente 23 suplementos diferentes incluindo vitaminas, minerais, probióticos, enzimas digestivas, adaptógenos e fitoterápicos. Gasta aproximadamente três mil reais mensais em suplementos e alimentos orgânicos especializados.

Vida social tornou-se severamente comprometida. Recusa todos os convites para restaurantes, mesmo os especializados em comida orgânica, porque não confia nos métodos de preparo. Não aceita comer na casa de familiares ou amigos. Leva própria comida para eventos sociais. Progressivamente parou de comparecer a reuniões sociais pela impossibilidade de adequar alimentação.

Amanda demonstra ansiedade extrema diante de possibilidade de consumir alimentos não aprovados. Em ocasião onde acidentalmente consumiu óleo que não era prensado a frio, apresentou crise de pânico com taquicardia, hiperventilação e choro compulsivo. Induziu vômito imediatamente e jejuou por 24 horas para “purificar o organismo”.

Desenvolveu sentimento de superioridade moral relacionado às escolhas alimentares. Critica pessoas que consomem alimentos industrializados. Publica conteúdo nas redes sociais com tom condenatório sobre alimentação convencional. Perdeu amizades devido a comentários julgamentais sobre hábitos alimentares alheios.

O conteúdo digital de Amanda tornou-se progressivamente mais extremista. Promove protocolos de desintoxicação sem embasamento científico, jejuns prolongados e eliminação de múltiplos grupos alimentares. Atribui doenças crônicas exclusivamente a alimentação inadequada. Desencoraja tratamentos médicos convencionais em favor de abordagens naturais.

Paradoxalmente, enquanto busca saúde perfeita através da alimentação, Amanda desenvolve deficiências nutricionais. Apresenta perda ponderal de 12 quilogramas em dois anos. Peso atual de 48 quilogramas para 1,68 metros, IMC de 17. Amenorreia há oito meses. Fadiga crônica intensa, queda capilar, unhas quebradiças e pele pálida.

Exames laboratoriais revelam anemia ferropriva severa com hemoglobina de 9,1 g/dL, deficiência de vitamina B12 apesar de suplementação oral, vitamina D em 14 ng/mL, cálcio ionizado no limite inferior. Albumina de 3,2 g/dL indicando depleção proteica. Ferritina de 8 ng/mL.

Amanda recusa-se a reconhecer deficiências como resultado de restrição alimentar. Atribui sintomas a toxinas ambientais, estresse ou inadequação da suplementação. Aumenta doses de suplementos e restringe ainda mais categorias alimentares. Iniciou protocolo de jejum intermitente 20:4, consumindo alimentos apenas em janela de quatro horas diárias.

A família expressa preocupação crescente. Mãe relatou que Amanda não participa mais de celebrações familiares. No último Natal, compareceu mas trouxe marmita própria e recusou-se a sentar-se à mesa durante a ceia. Demonstrou irritação com familiares que insistiam para que experimentasse os pratos.

Amanda foi confrontada por nutricionista que acompanha há anos. Profissional expressou preocupação com restrições progressivas e deterioração do estado nutricional. Amanda reagiu defensivamente, questionou qualificação da profissional e encerrou acompanhamento. Buscou nutricionista funcional que validou abordagem restritiva.

Procurou atendimento médico apenas após desenvolver síncope durante gravação de conteúdo. Foi atendida em pronto-socorro onde foram identificadas alterações laboratoriais significativas. Médico explicou que restrições alimentares estavam causando desnutrição. Amanda argumentou que isso era impossível porque consumia apenas alimentos de alta qualidade.

Durante avaliação psiquiátrica, Amanda demonstra fixação em pureza alimentar. Verbaliza que alimentação é forma de prevenir doenças, alcançar longevidade e manter corpo livre de toxinas. Expressa ansiedade intensa sobre contaminação alimentar. Descreve pensamentos intrusivos recorrentes sobre composição dos alimentos, origem e métodos de produção.

Demonstra insight ausente. Não identifica comportamento como problemático. Considera-se mais informada que profissionais de saúde sobre nutrição. Recusa tratamento psiquiátrico, interpretando sugestão como invalidação do estilo de vida saudável que construiu.

  1. Anorexia Nervosa
  2. Anorexia Atípica
  3. Ortorexia
  4. Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo
  5. Transtorno de Compulsão Alimentar
  6. Bulimia Nervosa
  7. Pica
  8. Transtorno de Ruminação

c. A preocupação não é com engordar nem com a forma do corpo, mas com a pureza e a qualidade dos alimentos, com rituais rígidos, superioridade moral e desnutrição grave. Esse padrão é o que se chama de ortorexia. Atenção: ortorexia não é diagnóstico oficial do DSM-5 nem da CID-11; na prática, um quadro como este seria classificado como transtorno alimentar restritivo/evitativo ou como outro transtorno alimentar especificado1.

Respostas comentadas redigidas com apoio de IA a partir da literatura de referência — revisão do professor recomendada.

Materiais de apoio

Leituras sugeridas

  • 2, cap. 15: Transtornos alimentares
  • 3, cap. 17: Feeding and Eating Disorders (p. 557–584)
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Referências

1.
American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. (Artmed, Porto Alegre, 2014).
2.
Sadock, B. J., Sadock, V. A. & Ruiz, P. Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. (Artmed, Porto Alegre, 2017).
3.
The American Psychiatric Publishing Textbook of Psychiatry. (American Psychiatric Publishing, Washington, DC, 2014).