Nise: O Coração da Loucura

2015

Introdução
Psicoses
Rede
Longa
Nise da Silveira recusa o eletrochoque e transforma um setor esquecido do hospital em ateliê: o asilo brasileiro dos anos 1940 e a alternativa que ela inventou.
NotaFicha do filme

Cartaz de Nise: O Coração da Loucura

  • Ano: 2015
  • Direção: Roberto Berliner
  • Elenco principal: Glória Pires, Fabrício Boliveira, Fernando Eiras, Roberta Rodrigues, Augusto Madeira, Simone Mazzer, Zé Carlos Machado
  • Baseado em: a trajetória da psiquiatra Nise da Silveira no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro
  • Onde saber mais: IMDb · TMDb · Wikipedia
  • Cartaz: divulgação, via TMDb

Sinopse

Nos anos 1940, a psiquiatra Nise da Silveira (Glória Pires) volta a trabalhar num hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro e se recusa a aplicar o eletrochoque. Ela assume o setor abandonado de terapia ocupacional e passa a tratar os pacientes com pintura, modelagem e convívio com animais. O filme ganhou o prêmio principal e o de melhor atriz no Festival de Tóquio de 2015 e chegou aos cinemas brasileiros em 2016.

Comentário

O filme retrata o asilo brasileiro dos anos 1940 e as terapias biológicas da época, como a eletroconvulsoterapia sem anestesia, o coma insulínico e a lobotomia. Ao lado disso, mostra a alternativa de Nise, que lê o sintoma como expressão com sentido e deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente. Em Introdução, serve para discutir a causalidade dos transtornos mentais ao longo da história, o estigma e a institucionalização. Em Psicoses, conversa com a pergunta sobre o que importa além da medicação, com os sintomas negativos e com a reabilitação psicossocial, incluindo as clubhouses. Em Rede, liga a epígrafe da aula1 às raízes da Reforma Psiquiátrica, dos CAPS e das oficinas terapêuticas, e ao que Fernando Diniz, Adelina Gomes e Carlos Pertuis representam no Museu.

É uma cinebiografia heroica, que opõe Nise a médicos caricatos, faz a ECT parecer só punição e não mostra a chegada dos neurolépticos. Convém lembrar que os antipsicóticos e a ECT moderna, feita com anestesia, têm eficácia comprovada, e que a discussão deve somar abordagens, não opô-las.

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Referências

1.
Silveira, N. da. Imagens do Inconsciente. (Alhambra, Rio de Janeiro, 1981).