Nise: O Coração da Loucura
2015
Sinopse
Nos anos 1940, a psiquiatra Nise da Silveira (Glória Pires) volta a trabalhar num hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro e se recusa a aplicar o eletrochoque. Ela assume o setor abandonado de terapia ocupacional e passa a tratar os pacientes com pintura, modelagem e convívio com animais. O filme ganhou o prêmio principal e o de melhor atriz no Festival de Tóquio de 2015 e chegou aos cinemas brasileiros em 2016.
Comentário
O filme retrata o asilo brasileiro dos anos 1940 e as terapias biológicas da época, como a eletroconvulsoterapia sem anestesia, o coma insulínico e a lobotomia. Ao lado disso, mostra a alternativa de Nise, que lê o sintoma como expressão com sentido e deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente. Em Introdução, serve para discutir a causalidade dos transtornos mentais ao longo da história, o estigma e a institucionalização. Em Psicoses, conversa com a pergunta sobre o que importa além da medicação, com os sintomas negativos e com a reabilitação psicossocial, incluindo as clubhouses. Em Rede, liga a epígrafe da aula1 às raízes da Reforma Psiquiátrica, dos CAPS e das oficinas terapêuticas, e ao que Fernando Diniz, Adelina Gomes e Carlos Pertuis representam no Museu.
É uma cinebiografia heroica, que opõe Nise a médicos caricatos, faz a ECT parecer só punição e não mostra a chegada dos neurolépticos. Convém lembrar que os antipsicóticos e a ECT moderna, feita com anestesia, têm eficácia comprovada, e que a discussão deve somar abordagens, não opô-las.
