Dilemas da classificação em psiquiatria
Sistemas diagnósticos existem em todo nosso redor. Diagnosticar não é exclusividade da medicina. Sistemas diagnósticos servem para fazer distinções, diferenciações e, com isso catalogar/categorizar diferentes grupos. Na computação sistemas diagnósticos distinguem spams de não-spams em caixas de mensagens, nas linhas de produção distinguem produtos com defeito de produtos sem defeito, na medicina um sistema diagnóstico determina se há ou não uma fratura num osso, ou se há ou não sangue oculto nas fezes. Seja na medicina, na engenharia, na computação ou em qualquer outra área da ciência, todo sistema diagnóstico se fundamenta em dois princípios fundamentais: 1) Existem diferenças entre os grupos e 2) Existem critérios estabelecidos para realizar a diferenciação. Além desses dois princípios, há um outro elemento crítico em todo processo diagnóstico: o agente humano, que diz haver uma diferença e que determina os critérios a serem usados no processo.
Algumas distinções são aparentemente simples, pois existem apenas duas possibilidades a serem analisadas: um email é um spam ou não? um osso tem uma fratura ou não? Entretanto, quando estamos diante da análise de comportamento humano, a questão do diagnóstico tem outros níveis de complexidades. A complexidade técnica se deve ao fato de não existir ainda ferramentas que auxiliem nesse diagnóstico, tal como em diversas outras áreas da medicina. A complexidade social se deve ao fato de que sistemas diagnósticos que tratem do comportamento humano tem repercussões sociais muitas vezes danosas, pois a mera definição de um diagnóstico pode causar estigma naqueles que se enquadram nessa definição. Além disso, um outro fator tem um peso enorme quando tratamos de classificar o comportamento humano: os critérios são criados pelos próprios seres humanos, e não encontramos ainda um consenso sobre quais os critérios a serem usados para classificar os problemas relacionados ao comportamento, emoções e sentimentos.
Para entender a dimensão desse problema é necessário analisar a história da classificações psiquiátricas, os motivos que justificaram essas tentativas no passado, os problemas das primeiras tentativas, as soluções tentadas para resolver esses problemas e os problemas atuais ainda para serem resolvidos.
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