Desconstruindo diagnósticos
Diagnósticos médicos são entidades dinâmicas, são criados, modificados e também deixados de lado. Durante mais de 400 anos uma doença chamada clorose foi diagnosticada, tratada e discutida na literatura médica1. Em 1881, a clorose era uma doença comum, especialmente em meninas adolescentes, mas no século seguinte já não havia nenhuma menção de clorose nos textos médicos2. Homosexualidade já foi um diagnóstico oficial do DSM, tendo sido retirado do DSM por volta de 1984. Esse não foi um caso isolado. Muitos outros diagnósticos não persistem na nomenclatura médica.
Os transtornos de personalidade tem sido um desafio no que se refere a sua classificação médica. O DSM-III-R definia um diagnóstico chamado de Transtorno da Personalidade Masoquista. Esse diagnóstico não se manteve em edições posteriores do DSM. Na CID-11, concluída em 2018, foram retirados todos os transtornos de personalidade, exceto o transtorno de personalidade borderline.
Outros diagnósticos foram recentemente abolidos ou modificados. Já não existem mais na CID-11 transtornos somatoformes, transtorno hipocondríaco entre outras. Por outro lado, novos diagnósiticos surgiram, tais como gaming disorder e Compulsive sexual behaviour disorder.