Pensamento concreto no autismo

Autismo
Exercício
Traduza metáforas e provérbios — “nem que a vaca tussa”, “panela de pressão” — em frases concretas, como quem conversa com um jovem autista.
NotaFicha da atividade
  • Formato: exercício de tradução de linguagem figurada
  • Modalidade: individual ou em duplas
DicaObjetivos de aprendizagem
  • Compreender a tendência à interpretação literal da linguagem no transtorno do espectro autista
  • Perceber o quanto a fala cotidiana está saturada de metáforas, provérbios e expressões idiomáticas
  • Treinar a comunicação concreta e direta, habilidade útil na clínica e na convivência

O humor das tirinhas abaixo nasce justamente do choque entre a linguagem figurada e a interpretação literal:

Gatinha: Amor, me fala uma coisa romântica. Níquel Náusea: Meu amor é uma caravana de rosas, vagando num deserto inefável de paixão. Gatinha: Uau! Agora traduz. Níquel Náusea: Aí você está querendo demais.

— Tirinha de Fernando Gonsales, publicada na Folha de S.Paulo em 21/10/2004

Mauro: Caramelo, o que é mágoa? Caramelo: É um tipo de nuvem densa e sombria. Mauro: E raiva? Caramelo: É um estrondo de trovões ameaçadores. Mauro: E a angústia, o que é? Caramelo: É uma chuvinha constante e desoladora! Mauro: E o amor? Caramelo: O amor sai toda manhã com suéter e um guarda-chuva.

— Tirinha de Clara Gomes, publicada no site bichinhosdejardim.com

Para muitas pessoas autistas, expressões como essas não são “coloridas” — são confusas. Falar concretamente é uma adaptação simples que melhora muito a comunicação.

Como funciona

Transforme as frases a seguir em frases mais concretas, para facilitar o diálogo com um jovem autista.

Questões

  1. O sistema carcerário no Brasil é uma panela de pressão.
  2. O amor é como uma flor: se não for regado, murcha e morre.
  3. Não há nada mais difícil no universo que estudar estatística. Estou estudando há uma eternidade. Já fiz um milhão de exercícios. Se tiver de repetir o ano, vou morrer de tristeza. Mas não volto pra essa sala nem que a vaca tussa.
  4. Eu já te disse isso um milhão de vezes. Se eu for mal na prova, o bicho vai pegar. Lá em casa meus pais vão me triturar.
  5. Chega de falar pelos cotovelos. A vida é tão curta como uma chuva de verão.
  6. Às vezes é preciso bater perna, outras vezes é preciso dar no pé, mas tem dias em que é preciso ter jogo de cintura.
  7. Hoje estou com fome de leão.
  8. Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
  9. Os preços estavam congelados na época do plano econômico do governo. Eu acordava me sentindo amargo todo dia. Os políticos eram todos farinha do mesmo saco.
  10. Deixa de encher linguiça, pare de falar abobrinha, pare de viajar na maionese. Você parece que perdeu o fio da meada. É por isso que tudo acaba em pizza.
  11. Não seja uma manteiga derretida, nem fique se fazendo de cego. Você logo vai ver que isso não é um pepino; olhando por outro ângulo, poderá ver que é mamão com açúcar.
  12. Você está brincando com fogo. Vai acabar se queimando. Pare de dar murro em ponta de faca. Deixe de carregar o mundo nas costas. Às vezes é preciso enfiar o pé na jaca.
  13. Tá osso resolver isso aqui. Dormi muito pouco, agora estou pingando de sono. Estou com receio de queimar o filme se não der conta do recado. Mas, como minha mãe sempre dizia, há sempre uma luz no fim do túnel.
AvisoQuestionário em construção

As questões desta atividade no Google Forms ainda estão em construção.

Tirinhas: Fernando Gonsales (Níquel Náusea, Folha de S.Paulo, 21/10/2004) e Clara Gomes (Bichinhos de Jardim).

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