“Mas eu não sou louco, doutor!” — a classificação dos psicofármacos
Tratamentos
Discussão
Antidepressivo para enurese, “remédio de esquizofrenia” para bipolaridade: como explicar prescrições que a bula parece contradizer?
Os psicofármacos carregam nomes de classe herdados de sua primeira indicação — “antidepressivo”, “antipsicótico”, “anticonvulsivante” — mas são usados muito além dela. Para o paciente que lê a bula, porém, o nome da classe soa como um diagnóstico: quem recebe um “antidepressivo” conclui que o médico o considera deprimido; quem recebe um “remédio de esquizofrenia” se sente chamado de louco. O resultado, muitas vezes, é o abandono do tratamento antes mesmo da segunda consulta.
Como funciona
Reflita sobre as situações abaixo, colocadas por pacientes ou familiares reais, e discuta como lidar com cada questionamento.
Questões
- “Meu filho faz xixi na cama e o médico passou um antidepressivo! (amitriptilina) É um louco mesmo, nem voltei na consulta. Estou revoltada.”
- “O médico disse que eu tenho transtorno bipolar, mas me prescreveu um medicamento para esquizofrenia! (olanzapina) Ele está achando que sou louco!”
- “Eu prefiro continuar fumando do que tomar esse remédio para gente depressiva. (bupropiona) Eu não tenho depressão, não vou tomar isso.”
- “Fui na consulta por causa de dores de cabeça e o médico está achando que eu tenho epilepsia. Veja só, eu vi na bula, o remédio que ele me passou é pra epilepsia. (topiramato) Eu não tenho epilepsia. Nunca mais volto lá.”
Materiais de apoio
Leituras sugeridas
Referências
1.
Sadock, B. J., Sadock, V. A. & Ruiz, P. Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. (Artmed, Porto Alegre, 2017).
2.
Uchida, H., Yamawaki, S., Bahk, W.-M. & Jon, D.-I. Neuroscience-based Nomenclature (NbN) for Clinical Psychopharmacology and Neuroscience. Clinical Psychopharmacology and Neuroscience 14, 115–116 (2016).