“Mas eu não sou louco, doutor!” — a classificação dos psicofármacos

Tratamentos
Discussão
Antidepressivo para enurese, “remédio de esquizofrenia” para bipolaridade: como explicar prescrições que a bula parece contradizer?
NotaFicha da atividade
  • Formato: discussão de vinhetas
  • Modalidade: em grupos ou turma toda
DicaObjetivos de aprendizagem
  • Compreender por que a classificação tradicional dos psicofármacos (por indicação histórica) gera mal-entendidos
  • Treinar a comunicação do racional da prescrição em linguagem acessível ao paciente
  • Antecipar e manejar rupturas de adesão causadas pela leitura da bula ou pelo nome da classe do medicamento

Os psicofármacos carregam nomes de classe herdados de sua primeira indicação — “antidepressivo”, “antipsicótico”, “anticonvulsivante” — mas são usados muito além dela. Para o paciente que lê a bula, porém, o nome da classe soa como um diagnóstico: quem recebe um “antidepressivo” conclui que o médico o considera deprimido; quem recebe um “remédio de esquizofrenia” se sente chamado de louco. O resultado, muitas vezes, é o abandono do tratamento antes mesmo da segunda consulta.

Como funciona

Reflita sobre as situações abaixo, colocadas por pacientes ou familiares reais, e discuta como lidar com cada questionamento.

Questões

  1. “Meu filho faz xixi na cama e o médico passou um antidepressivo! (amitriptilina) É um louco mesmo, nem voltei na consulta. Estou revoltada.”
  2. “O médico disse que eu tenho transtorno bipolar, mas me prescreveu um medicamento para esquizofrenia! (olanzapina) Ele está achando que sou louco!”
  3. “Eu prefiro continuar fumando do que tomar esse remédio para gente depressiva. (bupropiona) Eu não tenho depressão, não vou tomar isso.”
  4. “Fui na consulta por causa de dores de cabeça e o médico está achando que eu tenho epilepsia. Veja só, eu vi na bula, o remédio que ele me passou é pra epilepsia. (topiramato) Eu não tenho epilepsia. Nunca mais volto lá.”
AvisoQuestionário em construção

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Materiais de apoio

Leituras sugeridas

  • 1, cap. 29: Tratamento psicofarmacológico
  • 2
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Referências

1.
Sadock, B. J., Sadock, V. A. & Ruiz, P. Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. (Artmed, Porto Alegre, 2017).
2.
Uchida, H., Yamawaki, S., Bahk, W.-M. & Jon, D.-I. Neuroscience-based Nomenclature (NbN) for Clinical Psychopharmacology and Neuroscience. Clinical Psychopharmacology and Neuroscience 14, 115–116 (2016).