Depressão Pós-Parto

PBL
Depressão
Caso PBL — Marta, 23 anos: choro, culpa e uma voz chamando seu nome duas semanas após o parto.
NotaFicha do caso
  • Diagnóstico: Depressão pós-parto com sintomas psicóticos
  • Nome fictício: Marta
  • Idade: 23 anos
  • Profissão: não informada
DicaObjetivos de aprendizagem
  • Discutir o diagnóstico diferencial dos quadros depressivos no pós-parto
  • Discutir a epidemiologia da depressão nas mulheres, na gravidez e no pós-parto
  • Discutir o tratamento da depressão durante a amamentação
  • Reconhecer os sintomas psicóticos na depressão pós-parto e avaliar riscos

Marta, 23 anos, compareceu para consulta na unidade básica de saúde duas semanas depois de seu parto. Relata que desde o início da gravidez estava se sentindo desanimada, sem energia. Esse quadro piorou depois do parto, agravado pelas noites de insônia devido às cólicas do filho. Na última semana passou a chorar quase todos os dias e tem se sentido culpada por ter desejado abortar durante a gravidez. Não tem conseguido sentir amor pelo filho, preferindo que alguém cuide dele pra poder ficar deitada sozinha em seu quarto.

Ontem de noite, passou a ouvir uma voz chamando pelo seu nome e teve medo de ficar louca. Resolveu então vir na consulta hoje.

Questões para discussão

  1. Construa o diagnóstico diferencial dos quadros psíquicos do pós-parto e situe Marta.
  2. A voz chamando seu nome: alucinação? Que peso esse dado tem na conduta?
  3. A depressão de Marta começou na gestação — que implicações isso tem para o rastreio pré-natal?
  4. Como tratar considerando a amamentação?
  1. Baby blues: disforia leve, pico em D3-D5, resolução em até 2 semanas, sem prejuízo. Depressão pós-parto: síndrome depressiva completa, início na gestação ou nas primeiras semanas, com culpa e dificuldade de vínculo com o bebê — o quadro de Marta (desânimo desde a gestação, choro diário, culpa pelo desejo de abortar, incapacidade de amar o filho). Psicose puerperal: emergência psiquiátrica com delírios/alucinações e risco para mãe e bebê. Marta está entre a depressão grave e o limiar psicótico — vigiar de perto.
  2. Alucinação auditiva simples, isolada, com crítica preservada (ela se assustou e buscou ajuda — bom sinal). Muda o patamar de risco: avaliar conteúdo (comandos? referentes ao bebê?), ideação suicida e infanticida explicitamente, rede de apoio e necessidade de intervenção intensiva; sintomas psicóticos na depressão pós-parto pedem tratamento incisivo e seguimento curto.
  3. Metade das depressões “pós-parto” já estava presente na gestação (nota do caso). Implicação: rastrear humor em TODAS as consultas de pré-natal (ex.: Escala de Edimburgo), não apenas na revisão puerperal — a janela de prevenção é antenatal.
  4. Amamentação não contraindica tratamento: sertralina é o ISRS com melhor perfil na lactação; psicoterapia e suporte à díade mãe-bebê são parte do pacote; nos quadros psicóticos, antipsicótico e possivelmente internação conjunta. O erro mais comum é NÃO tratar por medo do leite — a depressão materna não tratada é o maior risco para o bebê.

Nota para discussão: 50% das mulheres com depressão identificada no pós-parto já estavam deprimidas durante a gestação.

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